PECUÁRIA EM DESTAQUE
Apresentamos aqui duas dicas bem elementares, como sugestão de resolução imediata para quem quer melhorar seus resultados. São totalmente básicas e, talvez, por isso mesmo, muitas vezes são menosprezadas.
Nutrição: monitorar o consumo médio de suplementos. A primeira dica está ligada ao tema consumo de suplementos, cujo grande desafio é a obtenção do correto consumo pelos animais.
A sugestão, então, é conseguir melhorar o monitoramento do consumo dos suplementos pelos animais. Ter a informação do consumo médio de suplementos já é de grande valia. Ela pode ser obtida de forma muito simples, apenas consultando o uso do produto em determinado tempo e dividindo-o pelo número de animais que o consumiu, multiplicado pelo número de dias em que isso ocorreu. Supondo uma fazenda que apenas usa sal mineral convencional o ano todo, esse cálculo seria feito assim: consumo médio de sal mineral = [(estoque inicial estoque final) x peso saco]/[(número médio de animais X 365 dias)].
Um exemplo: consumo médio de sal mineral = [(150 sacos 50 sacos) X 30]/[(10.000 Cabeças X 365 dias)]. Consumo médio de sal mineral = (3.000 kg)/(365.000 Cabeças X dia) = 0,082 kg/cabeça/dia. Neste caso, o cálculo pressupõe que não houve compra durante o ano. Se houvesse compras, bastaria somá-las ao estoque inicial.
O resultado, equivalente a 82 g/cabeça/dia é uma boa referência que, no caso, indica um consumo médio, aparentemente, dentro da normalidade. Obviamente, ele deve ser confrontado com o valor (ou os valores, se for mais de um produto) indicado pelo fabricante.
Se o consumo médio estivesse muito alto, seria o caso de pensar em rever as práticas de suplementação para reduzir o gasto, sem perder desempenho. Todavia, a situação em que esse valor nos dá a informação mais valiosa é quando esse consumo de referência está abaixo do que deveria ser o valor normal, pois é aqui que o prejuízo costuma ser maior. O que ocorre neste caso é que não se obtém todo o benefício da suplementação, uma vez que pode estar havendo consumo subótimo dos minerais.
A segunda dica é sobre pastagens: respeitar o resíduo mínimo de cada forrageira.
Essa dica refere-se a um dos principais problemas da pecuária brasileira, que é o superpastejo. Não deixar o resíduo mínimo de forragem foi destacado como o principal motivo para termos mais de metade das nossas pastagens com algum grau de degradação, bem como razão para as nossas baixíssimas médias de produtividade.
Incorporar a preocupação de manter uma altura mínima de pastejo específica para cada forrageira é muito importante. É fácil perceber que isso ainda não está na agenda da maioria dos pecuaristas do Brasil, nos pastos que avistamos nas estradas. Para aqueles que adotarem a prática, os benefícios esperados são: melhor desempenho dos animais, menos invasoras na pastagem e maior longevidade das pastagens. No link abaixo, há uma lista com alturas recomendadas para as principais forrageiras usadas no Brasil, bem como um instrumento para auxiliar a obtenção deste objetivo:
http://www.cnpgc.embrapa.br/publicacoes/folderusodaregua.pdf.
Esperamos que possa ser adotada em sua atividade e que traga benefícios a todos.
Sergio Raposo de Medeiros é pesquisador da Embrapa Gado de Corte





