O Brasil possui, atualmente, 23 estados e o Distrito Federal reconhecidos internacionalmente como livres de febre aftosa com vacinação, e Santa Catarina continua sendo o único livre da doença sem vacinação. Falta ainda, para a meta de um país totalmente livre da aftosa, o reconhecimento de Amapá, Roraima e Amazonas por parte da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE).
Assim como o Brasil tem progredido no status de livre aftosa com vacinação, precisamos intensificar os esforços para que outros estados, em especial o Rio Grande do Sul e o Paraná, adquiram a condição de livre de aftosa sem vacinação.
Em 2000, as autoridades retiraram a vacinação do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina, porém, somente nesse estado a febre aftosa não voltou. Santa Catarina está há 13 anos sem a doença e sem surto.
Daí a importância de, uma vez conquistado o status de livre de aftosa sem vacinação, o estado persistir na vigilância constante para não perder esse diferencial de ouro.
Antes de Santa Catarina se tornar livre de aftosa sem vacinação, o Brasil não tinha acesso ao Japão, aos EUA e ao Chile, que representam 25% do mercado importador mundial.
Agora, precisamos obter autorização para exportar carne suína de Santa Catarina para México, Coreia do Sul, Austrália, Canadá e União Europeia (UE), que representam 26% dos clientes internacionais. Deveríamos oferecer o produto de outros estados com status máximo de sanidade. Por isso, parece-nos que os mais próximos poderiam ser o Rio Grande do Sul e o Paraná, que perfazem 70% da produção nacional de carne suína. No Rio Grande do Sul, já foi experimentada a suspensão da vacinação.
A aftosa é o problema principal enfrentado pela suinocultura porque, embora a última ocorrência em suínos tenha sido em 1993, quando ações rápidas e incisivas liquidaram o foco, o setor ainda carrega o fardo da alegação de risco por conta da vacinação de gado.
Outra barreira mundial às exportações de carne suína é a peste suína clássica. O Brasil tem praticamente 100% de sua produção de suínos em áreas livres sem vacinação há 16 anos. Esse é um status sanitário privilegiado!
A dificuldade, portanto, para expandir a exportação de carne suína reside na vacinação de febre aftosa em bovinos. Essa é a pedra no sapato do Brasil!

Francisco Turra é presidente-executivo da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA)

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