O Brasil é um dos principais atores da pecuária mundial. Somos o maior exportador de carne vermelha do mundo (mais de 1,5 milhão de toneladas) e o segundo maior produtor no cenário global (cerca de 9,5 milhões de t/ano). Em termos de consumo per capita, o brasileiro leva ao prato cerca de 39 quilos de carne vermelha por ano, volume igual ao dos norte-americanos. Por esses números, pode-se dizer que a bovinocultura nacional cumpre bem o seu papel de fornecedora de proteína vermelha à população. Porém, é possível fazer mais.
O Brasil caminha a passos moderados na evolução genética do rebanho bovino. Temos plantel de mais de 200 milhões de cabeças e produzimos menos de 10 milhões t/ano de carne. Enquanto isso, os EUA possuem 88 milhões de cabeças e produzem 11 milhões de t/ano. Precisamos avançar em produtividade. Essa responsabilidade tem de ser repartida com vários agentes. Desde as esferas governamentais às instituições de pesquisas, passando pelos técnicos e os produtores.
E há ferramentas indispensáveis para impulsionar a oferta de proteína animal no País. A seleção de animais feita pelo melhoramento genético destinado às raças com aptidão para carne, visando características produtivas e reprodutivas do animal, é um bom exemplo disso.
Os valores genéticos dos animais mensurados por Diferença Esperada na Progênie (DEP), por exemplo, que identificam a real capacidade de transmissão da genética do touro para o bezerro, têm sido obtidos pelos mais modernos métodos científicos, incluindo a seleção genômica, que possibilita a análise de dados moleculares dos animais. A inclusão de dados genômicos permite que várias características sejam avaliadas, aumentando a acurácia das DEPs dos animais.
Seja o animal de origem taurina ou zebuína, é indiscutível a necessidade de trabalho voltado para a adaptação do individuo ao ambiente onde será colocado para trabalhar.
Uma boa iniciativa nesse sentido foi a criação do Programa Mais Pecuária, do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), que prevê, para os próximos dez anos, o aumento da produtividade bovina, passando de 1,3 bovinos por hectare para 2,6 bovinos por hectare. Com isso, a proposta é liberar algo em torno de 46,2 milhões de hectares para outras atividades produtivas.
O programa deve funcionar sob quatro eixos, sendo o melhoramento genético o principal deles. O segundo passo será expandir as vendas dos produtos, ampliando em 35% o consumo interno de carne bovina e aquecendo a exportação de derivados.
Se efetivamente for colocado em prática, se trata de uma excelente notícia para a pecuária brasileira. Afinal, de acordo com a FAO, em 2050 a população mundial contará com 9 bilhões de pessoas. E o desafio é de, no mínimo, dobrar a produção de proteína vermelha até lá para atender à crescente demanda.

Paulo de Castro Marques é presidente da Associação Brasileira de Angus

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