PECUÁRIA EM DESTAQUE
A pesquisa, o desenvolvimento e a inovação (PD&I), associados à transferência de conhecimentos e tecnologias, são os principais pilares para o desenvolvimento de um agronegócio realmente sustentável. Esses foram, são e serão a base para produção de alimentos, fibras e energia renovável no mundo. Para o horizonte de 2050, estima-se que 72% do consumo de carne e outras proteínas de origem animal ocorra em países em desenvolvimento, em comparação com os 58% atuais. Projeção que tem como suporte a expectativa na melhoria de qualidade de vida e renda da população e o fato de o consumo de carne estar associado ao poder aquisitivo.
A importância da cadeia produtiva da pecuária, em especial da carne bovina, está relacionada às tendências do mercado agroalimentar, no qual a segurança e a qualidade dos alimentos e a necessidade de aumentar a produtividade são os três principais fatores. Hoje, a produção de carne no Brasil tem o maior valor bruto entre os produtos agrícolas.
A pressão pela produção de alimentos, associada aos novos padrões regulatórios internos e dos países importadores, impõe o desafio de desenvolvimento otimizado da cadeia da carne bovina. O Brasil e o mundo devem produzir alimentos, fibra e bioenergia de forma sustentável sem impactar os biomas, primando pela conservação dos recursos naturais. O aumento da produtividade é uma das alternativas para o incremento da produção sem a necessidade de uso e abertura de novas áreas para pastagens. Desta forma, desenvolvemos e desenvolveremos soluções tecnológicas aplicadas e absorvidas pelos segmentos e atores da cadeia produtiva da pecuária de corte.
Cerca de 95% da produção de carne no Brasil é sob pastagens, mais de 80% do rebanho é de corte, a base dos conhecimentos em sanidade, nutrição e genética bovina para a evolução da produção de carne no Brasil pecuário tiveram a Embrapa como instituição âncora junto a parceiros.
Para alcançar os patamares atuais de importância e impacto da produção de carne no Brasil e sua participação no mundo, a Embrapa Gado de Corte, em Campo Grande (MS), nos seus 37 anos, contribuiu de forma decisiva por meio da geração, adaptação e transferência de conhecimento e de tecnologias relacionadas às diversas áreas de atuação, que a fazem um marco deste processo.
A visão de futuro está posta e os desafios são constantes. Os esforços até aqui foram grandes e podemos arriscar que serão maiores para os próximos anos. Ao longo dos seus 37 anos, a Embrapa Gado de Corte atuou e continuará atuando, alinhada ao contexto dos desafios da cadeia produtiva, realizando PD&I como alicerces da pecuária eficiente, em benefício da sociedade brasileira e de uma produção sustentável.
Rumamos para uma nova fase. Momento de olharmos para frente e construirmos com inteligência estratégica diária o futuro que queremos para a nossa pecuária. Futuro pautado por dinamismo, celeridade, antevisão, antecipação, cenários incertos, dentre outras características, cujos resultados tecnológicos devem fazer a diferença para contribuírem de fato com a cadeia de valor a qual estamos inseridos.
Da carne, como alimento escasso e de difícil acesso na década de 1970, passamos pelas contribuições, pelos conhecimentos, conceitos e pelas soluções tecnológicas geradas e aquelas ainda em desenvolvimento. História feita por pessoas que trabalham e vibram pelo agronegócio e por um Brasil melhor.
Seja na genética, na sanidade ou na nutrição animal, nas pastagens, nos sistemas de produção, nos sistemas integrados, na pecuária de precisão, entre outros conhecimentos e tecnologias. Hoje, em cada fazenda, em cada bife consumido no Brasil e em parte do mundo importador de carne, há um pouco das tecnologias da Embrapa Gado de Corte.
Cleber Oliveira Soares é chefe-geral da Embrapa Gado de Corte





