PECUÁRIA EM DESTAQUE
Em breve, os olhos do mundo estarão voltados para nós e os turistas serão inundados por todas as sensações que esse nosso belo país tropical pode proporcionar. Uma delas é provar a carne bovina produzida no Brasil. Não tenho conhecimento de nenhuma atividade específica de promoção do produto durante a Copa do Mundo, mas se não houver nenhuma campanha, será um tremendo desperdício.
Pensando nisso, listo abaixo aspectos positivos da carne produzida no Brasil.
O Brasil tem o segundo maior rebanho comercial e, desde 2005, é o maior exportador de carne bovina atendendo a cerca de 20% do mercado mundial de carne.
Essa exportação é feita com menos de 1/5 da produção brasileira, que atende a demanda interna com um consumo de 37 kg de carne/brasileiro. Mesmo com toda essa produção, o País tem a segunda maior cobertura florestal do planeta (63%).
A produção de carne mais do que dobrou nos últimos 20 anos, mas praticamente sem aumentar a área de pastagem e com redução no desmatamento. A grande maior parte dos animais é produzida no Bioma Cerrado e o Brasil é o único país no mundo a exigir dos seus produtores áreas de reservas com florestas.
Cerca de 70% da produção é feita sobre forrageiras cultivadas, desenvolvidas por pesquisadores brasileiros. Temos tecnologia nacional disponível para mais que dobrar a produção de carne e ainda reduzir o rebanho. A integração lavoura-pecuária permite aumentos de produção de 4 arrobas/ha para 31 arrobas/ha, melhorando o balanço dos gases de efeito estufa (GEE), reduzindo os índices de emissão. Um pasto bem manejado evita a erosão, conservando o solo e ajudando na recarga dos aquíferos subterrâneos.
Mais de 90% dos animais no Brasil são produzidos exclusivamente em pastagens, por isso é mais ambientalmente amigável. Para uma idade de abate de três anos, os animais são confinados por menos de 100 dias, o que corresponderia a menos de 10% da sua vida. Em média, o bovino brasileiro passa 99,9% do seu tempo pastejando, o que está mais de acordo seu comportamento natural.
Além da criação em pastagens, a adoção de práticas de bem-estar animal tem crescido muito. Só com investimento em treinamento, obtém-se resultados evidentes em melhoria de produção e facilidade de trabalho.
O grupo genético predominante é o zebuíno, com alta adaptabilidade às nossas condições de clima e mais resistência aos desafios sanitários. Usam-se muito menos medicamentos e pesticidas, razão pela qual a carne brasileira é um produto reconhecidamente "limpo". O Brasil é o único grande exportador de carne que não utiliza hormônios na produção de carne.
A carne produzida em pastagem com zebuínos é mais magra, ajudando a se obter um consumo de carne com menor ingestão calórica e com menor quantidade de gordura. A composição de gordura de animais que consomem mais pastagem é mais interessante do que a de animais produzidos confinados por longos períodos.
Também o teor de vitaminas é maior nos animais produzidos preponderantemente em pastagens.
Sergio Raposo de Medeiros é pesquisador de Nutrição Animal da Embrapa Gado de Corte





