As cadeias de pecuária têm, e muito, se beneficiado pela prática da vacinação. Uma vacina pode ser considerada qualquer preparação que, administrada em um indivíduo ou animal, seja capaz de induzir resposta imune protetora contra um ou mais agentes infecciosos. O objetivo da prática é a prevenção ou atenuação da doença clínica ou de seus efeitos. O agente infeccioso pode até chegar a invadir o organismo e iniciar a replicação, mas, a partir daí, como consequência de uma boa vacinação, o sistema imune e seus componentes bloqueiam sua replicação. Assim, a disseminação do agente no organismo é rapidamente controlada e não ocorre doença propriamente dita, ou, quando ocorre, é branda.
Mesmo que nem todos os animais vacinados estejam efetivamente imunizados, o fato de a maioria deles estar protegida pode impedir a disseminação do patógeno no rebanho. É possível encontrar vacinas no mercado que, mesmo com nível de eficiência relativamente baixo, têm grande aceitação, especialmente contra agentes mais complexos.
A grande maioria das vacinas licenciadas, inclusive para uso veterinário, é antiga no mercado e produzida pela forma tradicional: o patógeno precisava ser isolado, cultivado, inativado ou atenuado, inoculado no animal e então avalia-se o efeito protetor. Esta é uma estratégia demorada e muitas vezes, não muito segura. Essas são, em geral, contra vírus e bactérias, como vacinas contra febre aftosa, raiva, doenças do complexo respiratório bovino, brucelose e clostridioses.
Para a ciência, persiste o desafio de desenvolver vacinas cujo método clássico falhou em produzir bons resultados. O desenvolvimento de vacinas contra organismos mais complexos, como algumas bactérias intracelulares, protozoários, artrópodes, prions e vermes ou com grande variação antigênica, representa este grande desafio.
A manipulação genética, iniciada na década de 1970, abriu outras possibilidades quanto à vacinologia. Um bom exemplo desse reflexo são as vacinas constituídas por proteínas recombinantes, como também as vacinas de DNA. Segurança, eficácia, menor custo, maior reprodutibilidade lote-a-lote, melhor forma de estocagem e maior facilidade de transporte são algumas das características esperadas com a nova geração de vacinas.
Quatro vacinas de DNA estão disponíveis no mercado internacional, nenhuma ainda para bovinos. Já com relação a vacinas recombinantes, há, no Brasil, uma contra o carrapato-do-boi licenciada pelo Ministério da Agricultura.
Por meio de ciências derivadas da biotecnologia, como a bioinformática, pode-se realizar "vacinologia reversa". É possível iniciar pela análise do genoma do patógeno, identificar genes e proteínas-alvo para o desenvolvimento seletivo de vacinas, quer seja pela construção de genes/proteínas recombinantes quer pela deleção/alteração genética direta do microrganismo.

Lenita Ramires dos Santos é pesquisadora da Embrapa Gado de Corte e Emanuelle Baldo Gaspar é pesquisadora da Embrapa Pecuária Sul

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