As doenças ortopédicas do desenvolvimento (DODs) são consideradas um dos maiores desafios na criação de potros por poder comprometer o desempenho atlético destes animais.
São distúrbios que interferem no desenvolvimento, formação dos ossos e articulações dos potros em crescimento. Durante o crescimento ósseo, ocorre uma alteração no processo de ossificação endocondral. As mais comuns são: fisites, osteocondrose, deformidades angulares e deformidades flexurais.
Entre os fatores causadores, os mais comuns são os hereditários e os nutricionais. Os fatores hereditários estão ligados às raças grandes, que apresentam taxa de crescimento maior do que as demais; problemas de conformação; massa corporal e estrutura óssea - características transmitidas geneticamente e que podem gerar pressão excessiva na placa de crescimento.
Já como fator nutricional, o fornecimento de dietas ricas em energia acelera a taxa de crescimento e faz com que o processo de diferenciação celular da cartilagem seja insuficiente. Isto provoca falha na ossificação endocondral, deixa a placa metafisária espessada e faz com que os tecidos moles não acompanhem os ossos. É importante iniciar o fornecimento de ração para os potros no máximo com três meses de idade, pois a qualidade do leite da égua diminui muito e deixa de ser suficiente para nutrir as exigências do potro. Também é possível prevenir grandes perdas de peso que ocorrem após a desmama, evitando o ganho de peso compensatório, um dos momentos críticos para o início das DODs.
O desbalanço mineral também pode ocasionar as DODs. É essencial o fornecimento de mineral para os potros em crescimento para garantir as exigências, especialmente o cálcio. Os principais minerais relacionados às alterações na ossificação são: o excesso de fósforo, a falta de cálcio, o consumo insuficiente de cobre e a ingestão excessiva do zinco.
A prevenção das DODs começa com uma boa alimentação da égua em gestação, que deve receber maior nível de proteína e sal mineral de boa qualidade. É importante que evite a obesidade, porque há diminuição do espaço intrauterino contribuindo para as deformidades angular e flexurais.
Os potros devem receber nutrição balanceada, desde o nascimento até os 18 meses de vida, com produtos específicos para crescimento e com boa digestibilidade. É fundamental ter um bom manejo e criação, evitar o trabalho precoce e realizar bons cruzamentos genéticos.

Claudia Ceola é veterinária e técnica de equinos da Guabi

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