PECUÁRIA EM DESTAQUE - Alimentação para vacas leiteiras de alta produção
Para desempenhar suas funções produtivas e reprodutivas, as vacas precisam de nutrientes em quantidade e qualidade, determinados em função do peso corporal, fase e nível de produção, bem como fatores ambientais envolvidos.
Apesar de parecer lógico, para produzir leite em quantidade e qualidade, elas precisam consumir uma ração balanceada. Por definição, ração é a quantidade total de alimentos (volumosos e concentrados) consumidos ao longo de 24 horas. Na prática, isto é chamado de dieta. Já o concentrado é denominado de ração.
A participação de alimentos volumosos será maior, quanto melhor for sua qualidade. Os mais utilizados são silagens de milho ou sorgo e feno de gramíneas. Ricos em fibra efetiva, quando utilizados nas proporções adequadas, auxiliam na manutenção de um pH ruminal superior a 6,2, o que contribui para saúde ruminal.
Os alimentos concentrados são fundamentais, pois fornecem energia, proteína, fósforo, dentre outros nutrientes. Os principais representantes são os farelos de soja e milho. No entanto, outros ingredientes, como subprodutos agroindustriais, podem ser usados, desde que sejam respeitados critérios de viabilidade econômica, aceitabilidade, digestibilidade e degradabilidade ruminal.
Grãos de cereais fornecem grande quantidade de energia aos ruminantes devido ao elevado teor de amido. Para maior aproveitamento desta energia, o tratamento com umidade e temperatura expande o amido e rompe as membranas proteicas. O concentrado peletizado traz benefícios, pois o amido apresentará maior capacidade de absorver água, o que potencializa a ação enzimática e incrementa o processo de digestão.
Para atender os requerimentos de macro e microelementos minerais e vitaminas é primordial a adição de um núcleo mineral vitamínico, quando a ração é preparada na propriedade. No caso de ração pronta, esta adição, na maioria dos casos, não é necessária. É essencial o fornecimento, a livre acesso, de um suplemento mineral com 8% de fósforo.
Para incremento da produção e eficiência alimentar, é fundamental a presença de aditivos. Os mais utilizados são: monensina sódica, virginiamicina, bicarbonato de sódio e biotina. Sem exceção, favorecem o bom funcionamento do rúmen. Alguns, quando usados simultaneamente, têm efeito simbiótico.
O sucesso na alimentação dependerá da correta homogeneidade da mistura (volumoso + concentrado), bem como da frequência de arraçoamento e qualidade e quantidade da água fornecida. Em rebanhos comerciais, por questão de manejo, as vacas deverão receber pelo menos três tratos diários. Quanto maior a frequência de trato, maior será o interesse do animal pelo alimento e melhor será a sua qualidade, o que levará à maior ingestão, componente fundamental que explica o desempenho animal.
José Leonardo Ribeiro é zootecnista e gerente de Produtos de Ruminantes da Guabi





