Pecuária em 2004
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sábado, 22 de novembro de 2003
Reportagem Local 
A carne bovina vai ganhar mais espaço no mercado mundial em 2004, ao mesmo tempo em que será mais valorizada. As cotações devem encostar nos preços dos padrões internancionais, em torno de US$ 28,00/arroba. Pecuaristas que usam tecnologia (gestão pecuária, rotação de pastagens, cruzamento planejado, genética de ponta, etc) saem na frente e serão beneficiados por essas mudanças que devem ocorrer no mercado.
A previsão é do empresário e médico veterinário Marcelo Vezozzo, da Araucária Genética Animal, de Londrina.
''A pecuária brasileira vive um grande momento. Os grupos de produtores que têm consciência de união estão juntando forças. Isto significa um amadurecimento de nossa pecuária'', afirma Vezozzo. Segundo ele, os empresários rurais estão produzindo um produto específico para o mercado interno ou externo, atendendo quantidade, qualidade e regularidade.
Em 2004 será implantado o sistema de classificação de carcaças que beneficiará não apenas uma ou outra raça e sim todo o sistema da pecuária nacional.
Vai faltar bezerro - Vezozzo previu que vai faltar bezerros. ''Teremos falta de oferta de bezerros, devido ao excesso de abate de matrizes como resultado da substituição da pecuária pela lavoura''.
''O preço da carne deverá ser reajustado com a abertura (Nafta) e crescimento das exportações. O pecuarista deverá ter melhor remuneração, a mesma dos padrões internacionais (28 U$/arroba)''.
O Brasil é considerado o maior exportador de carne do mundo, tendo preço e quantidade. Daqui para frente será necessário investir em qualidade para agregar valor à carne. Para atender aos mercados que remuneram melhor, de acordo com o empresário, é preciso fazer um produto diferenciado que atenda à tipificação desejada de peso, gordura, idade, olho de área de lombo, coloração da carne, etc.
Há reconhecimento do mercado mundial quanto a eficiência brasileira neste trabalho. ''O consumidor europeu quando vai ao supermercado e fica em dúvida quanto a carne que irá adquirir logicamente escolherá aquela com rastreabilidade'', opina.
Progênie - Os produtores estão aprendendo a utilizar a DEPs (Diferença Esperada de Progênie) contribuindo para a abertura de debates e para a conscientização dos mesmos, observa Vezozzo. Para complementar vem o quesito morfologia que algumas raças já utilizam (raças européias de corte e raça holandesa, por exemplo).
No gado zebu, dez anos atrás não se falava em DEPs, só se vendia sêmen dos grandes campeões de Uberaba, que nem sempre eram progenitores. ''Hoje já há preocupação de DEPs e acurácia sobre a progênie, temos grande incremento da qualidade da base do rebanho, e isto é fantástico'', comemora.


