A pecuária bovina estabeleceu-se na América do Sul como resultado do processo de colonização empreendido por espanhóis e portugueses a partir do Século 16. As primeiras explorações começaram em torno das cidades, com o propósito de abastecer as novas populações e a crescente importância do comércio de couros. Foi sendo explorada gradualmente até o interior, em busca de áreas mais extensas.
Esta diferenciação de áreas geográficas com diferentes especialidades produtivas, consolidou-se com o advento da indústria frigorífica, época em que surgem os campos de engorda, destinados a permitir que os animais alcançassem um peso adequado de carne, nas proximidades dos estabelecimentos frigoríficos, de onde podiam ser transportados facilmente, de imediato.
Terras boasTanto por sua localização como por seu potencial produtivo, aquelas terras tinham alto valor comercial, motivo pelo qual começaram a cobrar importância das cracterísticas genéticas do gado, tais como precocidade e eficiência de conversão alimentar, para melhorar a rentabilidade das explorações pecuárias. Esta circunstância dá início a um ciclo de importação de ventres e reprodutores para mestiçar as populações de gado crioulo (nativo).
Assim, também a febre aftosa foi introduzida com animais trazidos do Continente Europeu. Identificada pela primeira vez em 1870, a enfermidade é descrita simultâneamente na Costa Noroeste dos Estados Unidos; na província de Buenos Aires, na região central do Chile, no Uruguai e no Sul do Brasil. No começo do Século 20 ela havia se estendido a todo o Brasil, Bolívia, Paraguai e Peru; em 1950 foi introduzida na Venezuela e na Colômbia; em 1961 apareceu no Equador. Ao mesmo tempo em que Estados Unidos (1929), México (1947-1954) e Canadá (1952) desenvolveram campanhas para erradicar a febre de seus territórios, os países sul-americanos não conseguiram impor medidas efetivas para evitar a entrada e difusão da doença em seus territórios.
Por isso, a introdução da febre aftosa na Venezuela e Colômbia tornou-se um um dos principais desencadeantes do início do combate à enfermidade em escala continental. Através da organização dos Estados Americanos (OEA) os governos do Continente decidiram estabelecer no Rio de janeiro o Centro Panamericano de Febre Aftosa (Panaftosa), que começou a operar em 1951, primeiro com um programa especial da OEA e posteriormente com um programa regular da Organização Pan-Americana de Saúde (OPS).
VigilânciaUm dos primeiros efeitos do processo de racionalização de atividades na luta contra a febre aftosa na América do Sul – informa o Panaftosa – foi colocar em evidência a inexistência de um sistema de informação que apoiasse adequadamente a tomada de decisões.
A Panaftosa projetou e colocou em funcionamento o Sistema Continental de Informação e Vigilância Epidemiológica das Doenças Vesiculares das Américas, com o objetivo de orientar as ações de controle e melhorar a efetividade dos programas de combate. O sistema alcançou um nível propriamente operativo em 1977 e sua proposta para as áreas afetadas pela febre aftosa diz respeito a dois aspectos básicos na epidemia da enfermidade:
a) presença da enfermidade no tempo e no espaço;
b) número de rebanhos afetados e a confirmação do agente atuante.
O êxito dos programas contra a febre aftosa na América do Sul determinou que seu território se dividisse em áreas livres e áreas afetadas, concluindo-se ser necessário adaptar o sistema para os países e regiões livres em oportunidade e conteúdo, área à qual a aftosa se encontra ligada. Por outro lado, Panaftosa também assumiu novas responsabilidades em relação às enfermidades zoonóticas, aumentando suas necessidades de informação a respeito de novas áreas.

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