Pecuária desperdiça dinheiro no controle de parasitas
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sexta-feira, 18 de outubro de 2002
Cláudia Barberato<br> Reportagem Local 
Menor peso no abate é o reflexo mais direto do prejuízo causado pela ação de parasitas como o carrapato ou o berne, a presença de grande quantidade de mosca-do-chifre ou ainda da verminose no rebanho de gado de corte. A presença do carrapato, por exemplo, significa 10 quilos menos no peso de abate do animal e a verminose pode provocar perdas de até 40 quilos nos bovinos.
As informações são do pesquisador da Embrapa Gado de Corte, de Campo Grande (MS), Ivo Bianchin, que estará realizado palestra no 5º Congresso Brasileiro de Raças Zebuínas. O evento começa amanhã, dia 20, em Uberaba (MG), e prossegue até o dia 23.
Segundo Bianchin é preciso orientar os pecuaristas que parte do controle que tem sido feito para combater parasitas e vermes na propriedade é ineficiente, quando não está embasado na orientação de um técnico. Muitas vezes o pecuarista, alerta, vai até a casa de produtos veterinários e compra medicamentos inadequados, por influência do vendedor, de modismos e do preço. Com isso, pode estar jogando dinheiro fora e, mais sério ainda, interferindo no controle natural e biológico, tornando os animais resistentes aos produtos.
Outro erro, enumera o pesquisador, está no uso dos produtos de controle em época inadequada. As épocas mais recomendadas para uso de anti-helmínticos (para verminoses), por exemplo, no Brasil Central, são os meses de maio, julho e setembro. E os produtos devem ser fornecidos apenas para animais em idade de desmama até os 20 meses. Esse tipo de manejo, segundo o pesquisador, pode ser aplicado em 65% do território brasileiro.
Para a mosca-do-chifre o uso de inseticidas é aconselhado somente em último caso, quando houver grande infestação e incômodo para os animais. O uso contínuo ou desnecessário faz mal aos animais e polui o ambiente. Pode ser prejudicial também no controle natural ou biológico feito por outros insetos. Cerca de 95% do controle da mosca acontece na fase de ovos e apenas 5% evoluem para o inseto adulto.
Para carrapatos, o controle químico deve ser feito nos meses de setembro e outubro, em três doses seguidas com espaçamento de 20 a 30 dias, dependendo do princípio ativo do remédio. O mais importante, alerta Bianchin, é ter a orientação de um técnico e racionalidade na hora de aplicar qualquer manejo. A maior presença de parasitas depende do clima, da raça e da própria resistência individual do animal.
Em propriedades de gado de corte do Centro-Oeste o pesquisador conta que é possível ter dois rebanhos dentro da mesma área: um com alta infestação e outro não, fato que ele explica a partir de uma variação individual de cada bovino. Segundo Bianchin essa variação ou resistência pode ser transmitida geneticamente, por isso uma das formas de controle é observar o rebanho, eliminar os mais resistentes e procurar fazer acasalamentos direcionados para a resistência.
Para a verminose uma solução é a rotação de pastagens e uso de fungos misturados à ração. Esses fungos se multiplicam, saem nas fezes dos animais e ''matam'' as larvas dos helmintos, que provocam a verminose. A maioria dos vermes estão no campo e não no animal.
A utilização de tratamentos alternativos, como fitoterápicos ou homeopatia, segundo o pesquisador, ainda não estão embasadas cientificamente (''o suficiente'') para comprovar alguma eficiácia. ''A diferença dos fitoterápicos, por exemplo, é que são produtos que podem fazer menos mal ao ambiente.'' No caso da homeopatia ele não acredita em resultados eficientes. ''Nos humanos pode até funcionar por sugestão, mas em rebanhos ainda é complicado.''
No caso dos carrapatos, por exemplo, 90% dos medicamentos utilizados, segundo o pesquisador não controlam o inseto e ainda agem nas fezes matando os inimigos naturais, afetando controle natural que deveria acontecer. Com isso não quer dizer que os medicamentos que existem no mercado não devam ser usados, mas que sejam utilizados corretamente. ''Isso significa ter certeza que o medicamento está agindo no parasita que está infestando o rebanho.''
Os pecuaristas devem recorrer a um técnico que poderá definir o controle estratégico. ''Não adianta acreditar em conversa de balcão e comprar produtos por influência de vendedores que não conhecem a realidade da propriedade.''
Um dos maiores erros é comprar sem assistência técnica ou escolher o produto pelo preço ou facilidade e utilizá-lo em épocas inadequadas ou em categorias de animais erradas.


