Pecuária de corte enfrenta o pior momento
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sexta-feira, 06 de maio de 2005
Reportagem Local 
Os preços pagos ao pecuarista pela arroba do boi são os piores desde que foi implantado o Plano Real, conforme comprova o estudo ''Indicadores Pecuários'' da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Universidade de São Paulo (Cepea/USP). Esta semana, o preço pago em São Paulo era de R$ 55/arroba. Pior preço só aconteceu em junho de 1996, quando o valor pago ao pecuarista R$ 54,78/arroba. ''Se considerarmos a média nacional, a situação é ainda pior, pois o preço médio no meio da semana era de R$ 50,00/arroba'', destaca o presidente do Fórum Nacional Permanente da Pecuária de Corte da CNA, Antenor Nogueira.
O atual cenário compromete a expansão do rebanho e, portanto, a competitividade do Brasil, que há dois anos ocupa a liderança no ranking de exportações de carne bovina. ''Na fase de cria a situação é pior, pois com a queda do preço do bezerro na ordem de 10% a 20%, dependendo da praça, foi gerada insatisfação generalizada, inclusive com muitos criadores saindo do mercado, com abate excessivo de matrizes'', diz Nogueira.
Segundo ele, em 2005, a pecuária de corte ingressa no terceiro ano consecutivo de perda de renda, num longo processo de elevação de custos e queda dos preços pagos ao produtor rural. O estudo da CNA e Cepea mostra que entre janeiro e março o valor pago ao criador de gado caiu 6,71%. No mesmo período, os Custos Operacionais Totais (COT) subiram 0,81%. De acordo com Nogueira, os resultados do crescimento das exportações, da recuperação dos preços internacionais da carne bovina e do aumento do consumo interno não estão sendo repassados ao pecuarista.
Em 1996, quando o preço da arroba do boi também estava baixo, o cenário era diferente: o consumo interno per capita era de 30 quilos/ano; o câmbio era de R$ 1,00 por cada dólar e as exportações somavam apenas 150 mil toneladas. Atualmente, o consumo per capita é de 36 quilos, o câmbio está em cerca de R$ 2,50 por dólar e as exportações, no ano passado, atingiram 1,854 milhão de toneladas, gerando receitas de US$ 2,457 bilhões.
Apesar do desestímulo ao produtor, o Brasil deve ser, em 2005, pela terceira vez o principal exportador de carne bovina, avalia Nogueira, considerando os resultados acumulados em 12 meses. Entre maio de 2004 e abril de 2005, as exportações atingiram 1,993 milhão de toneladas, representando receitas de US$ 2,63 milhões.
Apesar de a pecuária de corte ainda manter o fôlego, a médio prazo a perda de renda registrada junto ao produtor pode comprometer a oferta, alerta Nogueira. Isso porque o produtor é obrigado a reduzir investimentos e abater matrizes, o que reduz a oferta futura de bezerros. No ano passado, chegou a ser registrado pico de abate de matrizes de 35%, enquanto que o máximo aceitável é de 25%.


