A colocação do Brasil como maior exportador de carne do mundo tem criado boas perspectivas não só para grandes mas também para pequenos e médios pecuaristas, que se mostram entusiasmados em investir na atividade em busca de padrão e constância de produção eficiência.
Estimativa da CNA indica que o Brasil pode fechar o ano com 1,3 milhão de t exportadas. As boas notícias para a pecuária de corte brasileira no mercado internacional não se restringem ao aumento do volume de exportações, mas envolvem também a recuperação dos preços pagos pelo produto brasileiro. Em setembro deste ano, a tonelada de carne bovina in natura foi negociada pelo valor médio de US$ 2.098; frente US$ 1.765 a tonelada, em setembro de 2002.
O incremento no mercado externo pode trazer reflexos positivos também internamente. Quem tiver qualidade não precisa necessariamente exportar e sim abastecer nichos internos.
Para isso, é necessário mudar posturas e mentalidades na hora de pesar custo/benefício na aplicação de tecnologias que aumentem não só produtividade, mas a qualidade do produto final e mantenha padrão e constância de produção.
''A gente deve pensar que não somos mais produtores de bois e sim de quilos de carne por hectare,'' afirma o pecuarista Geraldo Campaner, de Rolândia (25 km a oeste de Londrina), que está entre os 120 produtores do Paraná que hoje adotam a produção do novilho superprecoce em suas propriedades. A concentração é maior no Norte e Noroeste do Estado.
Eles fazem parte do projeto Pecuária de Curta Duração, desenvolvido por técnicos da Emater e Secretaria de Agricultura, com objetivo de mudar o perfil da produção de carne no Estado, especialmente em propriedades de menor porte. O projeto funciona desde 1996 e agora começa a se efetivar nas propriedades, já que o tempo de implantação em média dura de três a quatro anos.
O sistema consiste em fazer o ciclo completo de produção, com cria e recria dos animais a pasto e engorda e terminação em confinamento. O abate pode ser feito na fase superprecoce entre 14 e 15 meses de idade, ou no precoce, dos 20 aos 24 meses.
Geraldo Campaner conta que adotou o sistema há três anos em busca de maior produtividade e acertos no gerenciamento da atividade. Antes tinha uma pecuária extensiva, sem controle de custos e rentabilidade. ''Só sabia que a pecuária não me trazia o retorno esperado'', afirma.
Para adotar o sistema de curta duração foram feitos investimentos para melhoramento do rebanho e na adequação, manejo e adubação das pastagens. Foi adotado também o cultivo da cana, destinada como alimento suplementar ao gado durante o inverno.
O próximo passo, segundo o produtor, é estruturar melhor a venda do produto. Hoje Campaner vende sua produção, ''de qualidade superior'', mas não recebe valor diferenciado por ela.
''Mesmo sem receber nada a mais pela qualidade da carne, a implantação do sistema vale porque melhora o gerenciamento de todo o negócio,'' diz. O caminho, no entanto, admite Campaner, deverá ser a formação de parcerias, entre produtores, para venda em conjunto e maior valor agregado ao produto.
A carne de novilhos precoces, segundo ele, têm um rendimento maior para consumo e, por ser de animais abatidos mais jovens, possui textura, sabor e maciez diferenciados. ''Seria um produto visando mercado interno, regional, mas com qualidade de nível que a Europa aceitaria,'' afirma.
Segundo ele ainda ainda faltam parceiros dispostos a ofertar um produto padrão, de qualidade e constância, em quantidade suficiente para atender à demanda de mercado. Ele se ressente da falta de uma liderança que pudesse organizar essa aliança. ''Organizados poderíamos obter uma valor de até 10% a mais na carne.''
Campaner e outros produtores têm conversado sobre o desenvolvimento de uma aliança aos moldes do que já acontece em Guarapuva, no centro sul do Estado. Lá um grupo de 13 produtores montou uma estratégia para abastecer pequenos varejistas com carne de qualidade e recebem preços diferenciados pela produção, agregando valor à atividade.

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