Para muitos pecuaristas o evento mais importante dentro de uma exposição agropecuária é o julgamento de animais. É na pista, sob olhares atentos dos juízes, que todo o reconhecimento para os investimentos em tecnologia e genética feitos pelos pecuaristas são consagrados.
As pistas sempre são uma referência para escolha de reprodutores e matrizes, destinados ao melhoramento genético dos rebanhos e a eficiência na produção de carne.
A identificação dos ''expoentes genéticos'' numa pista de julgamento é que vai gerar a descendência - os animais, responsável pela produção de carne, reconhece o veterinário e criador de gado nelore Alexandre Kireeff.
A carne que será exportada daqui a dois anos, por exemplo, será gerada por esses animais que hoje estão sendo analisados por meio de seus descendentes, lembra Kireeff, que é presidente da Associação dos Neloristas do Paraná (Anel). Por isso, segundo ele, o acerto na escolha dos melhores animais é fundamental para o sucesso da pecuária de corte, aquela que deverá sustentar a atual posição do Brasil como produtor de carne de qualidade.
Nos últimos cinco anos, para Kireeff, o investimento em genética e outras tecnologias que aceleram a produção de bons animais, tem ficado explícito nas pistas do Parque Ney Braga, em Londrina. Só o acréscimo dos pesos à desmama, nos julgamentos de progênie, por exemplo - dos filhos de animais já consagrados, conseguido por meio de tecnologias, acrescentaram à pecuária a redução no tempo de engorda, acelarando ciclo de produção e produtividade maior para a atividade. ''Por isso o Brasil é competitivo. A pecuária não pára.''
No final da década de 90, a pecuária brasileira começou a se destacar perante a concorrência internacional. O ápice da comercialização da carne bovina brasileira em território estrangeiro se deu no ano passado, quando o País foi considerado o maior exportador mundial, obtendo um faturamento de US$ 1,5 bilhão com 1,3 milhão de toneladas de carne bovina vendidas, segundo a Confederação Nacional de Agricultura e Pecuária.
Para Alexandre Kireeff dois aspectos fundamentais caracterizam o crescimento da pecuária brasileira: a vantagem sanitária que o Brasil possui ante os concorrentes e a forma de produção, de baixo custo, e com uma capacidade imediata de resposta ao mercado. ''O status sanitário brasileiro é extremamente favorável devido ao manejo à pasto, que é uma exclusividade brasileira e gera preços imbatíveis pela concorrência, o que torna o Brasil muito mais competitivo no mercado externo'', argumentou.
O analista de mercado, Fabiano Rosa, declara que o Brasil nunca apresentou um caso de vaca louca e possui, hoje, risco 1 para a doença, o menor na escala de avaliação. Em relação à febre aftosa, Rosa afirma que, recentemente, Rondônia e o sul do Pará foram consideradas áreas livres da doença. ''O Brasil possui a maior zona livre de aftosa do planeta, com cerca de 150 milhões de bovinos desprovidos da febre'', comentou Rosa, ressaltando que mesmo em confinamento ou semi-confinamento, o animal brasileiro é alimentado com proteína vegetal, o que assegura ainda mais a sua qualidade.
As expectativas para 2004 são positivas. Segundo Rosa, as exportações devem aumentar cerca de 10%, devido a descoberta de vaca louca nos Estados Unidos e à seca na Austrália, e a valorização da carne bovina irá aumentar em pelo menos 25% o faturamento brasileiro. ''Houve um aumento de 92% no faturamento de março deste ano em relação ao mesmo mês do ano passado, enquanto o volume exportado cresceu 44% no mesmo período'', contabilizou.
Incentivos em propaganda também são uma arma brasileira para agregar ainda mais valor à carne de boi e conquistar o mercado asiático. Segundo o analista de mercado, a exportação envolve, hoje, 104 países distribuidos pela União Européia e Oriente Médio.
Aproximadamente 35% da criação de gado brasileira concentra-se na região Centro-Oeste do País. Em seguida, estão as regiões Sul, com 26%, Sudeste, com 20% e Norte, com 19%. De acordo com Rosa, o custo de produção e a competição com a agricultura são os fatores determinantes desta distribuição.
Rosa admite que o momento atual favorece a agricultura, mas que a pecuária tecnificada pode ser muito mais rentável. ''A segurança e a alta liquidez das criações de gado são vantagens sobre a produção agrícola, que depende do clima para tudo'', observou.

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