Cláudia Barberato
Enviada aos Estados Unidos
No Estado de Indiana, no Meio-Oeste dos Estados Unidos, a pecuária leiteira é bem semelhante à que é praticada no Brasil. Lá, produtores enfrentam problemas como estresse de calor nos animais no verão, quando as temperaturas são mais altas do que no Brasil (beiram 43 graus centígrados). Há também dificuldades financeiras para o alto investimento que deverá ser feito em instalações de confinamento e altos custos de produção.
O Estado de Indiana ocupa o 12º lugar na produção americana, com rebanho entre 100 mil e 150 mil cabeças. O maior rebanho de leite dos Estados Unidos está na Califórnia, com 1 milhão de cabeças, das raças holandesa, pardo-suíça e jersey.
Durante viagem técnica aos Estados Unidos, promovida pela Federação de Agricultura do Estado do Paraná (Faep), grupo de produtores brasileiros conheceu as instalações de pecuária leiteira de animais da raça holandesa, mantidos na Universidade de Purdue, em Indiana.
Tecnologia e produçãoOs produtores brasileiros visitaram fazenda experimental, onde se adota tecnologia para obter boa produção de leite. A experiência serviu para mostrar que, apesar de ser uma unidade de tecnologia de ponta, o Estado de Indiana se assemelha bastante ao que acontece no Brasil.
Os problemas culturais também não fogem muito dos problemas do Brasil. Segundo o coordenador da área de pecuária leiteira da universidade americana, Gary Wernert, falta vontade de mudar, de adotar tecnologias novas, por uma questão de tradicionalismo.
Wernet garante que o trabalho na universidade é basedo em três pontos: manejo, nutrição e genética dos animais e isso demanda adoção de tecnologia e custos. ‘‘Se um dos pontos vai mal não se consegue boa produção.’’
‘‘Iniciar a atividade leiteira lá e tão difícil quanto no Brasil’’, afirmou o presidente do Sindicato Rural de Três Barras do Paraná, no Centro-Oeste do Paraná, João Bibiano da Silva.
Custos e preçosNa Universidade de Purdue a produção média do gado leiteiro é de 27 litros/vaca/dia. O produtor recebe cerca de U$0,30 por litro de leite. O produtor brasileiro que recebia quase a mesma quantia, depois da alta do dólar, no primeiro semestre, hoje recebe média de U$0,17.
No Paraná, em propriedades especializadas, a produção média das fêmeas pode ser superior e chegar a 39 litros/vaca/dia, casos do rebanho de Frank Dikstra, da Batavo, no Sul do Estado, ou 34 litros/vaca/dia, na Fazenda Antares, em Londrina, no Norte do Estado.
Nutrição e confortoNa universidade americana, atualmente, segundo Wernert, 90% das pesquisas têm sido destinadas à nutrição dos animais. Há também preocupação com o conforto do rebanho. Existem dois tipos de manejo: a criação a pasto, com menor custo, mas também menor produção leiteira, e o confinamento, a custo maior.
As intalações de tie-stall e free-stall, são indicadas tanto para proteger animais do calor quanto do frio. No inverno, a temperatura cai abaixo de 0º. Para driblar as dificuldade, é feito cruzamento dos animais, com objetivo conseguir maior resistência.
No Brasil, segundo o presidente da Cooperativa Central Agro-Industrial (Confepar), Osmar Buzinhani, a Embrapa faz pesquisa sobre o conforto dos animais. Produtores também têm optado pelos cruzamentos, obtendo animais mestiços, de sangue holandês com zebu, para aguentar altas temperaturas.
Custos de produçãoNo Estado de Indiana, o custo para o sistema de criação a pasto é de 6.750 litros/vaca/ano. Já o sistema de confinamento fica em 9.900 litros/vaca/ano. O custo diário de uma vaca confinada é de U$9 a U$10, incluindo fixos e variáveis.
Qualquer dos dois custos (a pasto ou confinado), multiplicado por U$0,30, que é o preço médio recebido pelo litro do leite, gera um resultado de custo/vaca/ano de U$2.025 para a criação a pasto e U$2.970 para confinados.
O produtor americano que tiver animais com produção abaixo de 9 mil litros/ano, tem prejuízo. O mesmo acontece com vacas em regime de pasto, com produção inferior a 6 mil litros/ano.
Problemas de manejoUm dos maiores problemas no manejo do gado leiteiro americano está nos cascos, em atrito com o concreto da instalação. As vacas em lactação ficam confinadas 305 dias (período de lactação) e só saem para a ordenha. Nos 60 dias restantes do ano, quando secas, ficam no pasto.
No Brasil, um dos maiores problemas de manejo está na área de reprodução, seguido pela mastite e, depois, cascos. Na criação a pasto, segundo Buzinhani, é preciso redobrar cuidados com a alimentação e o calor. O Brasil tem períodos de inverno seco, e tratar os animais somente a pasto é uma dificuldade. É preciso fornecer volumoso e concentrado. Na Universidade de Purdue, são fornecidos silagem de milho, alfafa e aveia.
Os produtores americanos usam na alimentação diária, no início de lactação das fêmeas, uma porcentagem de proteína bruta de 18% que, na medida em que vai se aproximando do meio ao final da lactação, cai para 14%. As vacas secas recebem ração com 10% a 12% de proteína bruta.
Os custos para criação no sistema de confinamento são altos. Para um rebanho de 140 animais em lactação, como o da Universidade de Purdue, perto de U$150 mil para um free-stall e mais U$120 mil para sala de ordenha.
A jornalista Cláudia Barberato viajou aos Estados Unidos a convite da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep).

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