Flávio Junqueira, 42, iniciou sua caminhada no rodeio em 1983. Segundo ele mesmo conta, foi da primeira ''molecada'' que começou a montar em touros no Brasil. ''Também trabalho com boiada e acho que sou o tropeiro que está há mais tempo atuando no país'', comenta.
No entanto, a atividade que mais destaca Junqueira no cenário nacional de rodeio é a de empresário. Ele comanda a filial brasileira da Professional Bull Riders (PBR).
Em 2006, a liga americana resolveu expandir as suas atividades para outros quatro países: Brasil, Canadá, Austrália e México. Nesses países, o campeonato é a segunda divisão da PBR americana e pode garantir aos competidores a oportunidade de competir nos Estados Unidos, onde são distribuídos milhões de dólares aos cowboys.
Nas terras tupiniquins, há um garoto-propaganda pra lá de especial para que os peões cada vez mais participem do campeonato promovido por Junqueira. Estamos falando de Adriano Moraes, 38, o peão brasileiro que fez fortuna e fama na ''América''.
Ele teve coragem, ainda nos anos 1980, de deixar para trás o desorganizado circuito de rodeio do Brasil para tentar a vida no meio dos cowboys. Em 1994, faturou o primeiro campeonato da PBR americana. Ganhou outros dois em 2001 e 2006. Tornou-se embaixador da PBR e conquistou um prestígio de assustar nas arenas americanas.
Vale dizer que Flávio Junqueira e Adriano Moraes são compadres e amigos, fato que fortalece o campeonato da PBR no Brasil. Os americanos dão uma força para que a coisa engrene por aqui. Junqueira conta que os gringos bancaram os prejuízos de 70 mil dólares em 2006 e de 30 mil dólares em 2007. Para 2008, a expectativa é de que a PBR brasileira tenha lucro. Outra expectativa é fazer do rodeio de Barretos (SP), a maior festa de peão do Brasil, uma etapa da PBR. A festa de Jaguariúna (SP), a segunda em renome, já está sob os domínios de Junqueira.
O campeonato funciona da seguinte maneira: os peões competem em 46 etapas, 16 masters e 30 abertas. Das etapas Masters só podem participar os 45 mais bem colocados do ranking. Nas etapas abertas outros peões podem se inscrever. O campeão brasileiro tem direito a uma vaga na grande final americana, disputada no mês de outubro, em Las Vegas.
Além disso, existe um ranking unificado de todos os países que fazem parte da PBR. Caso algum competidor brasileiro acumule uma quantia de premiação que seja maior do que o 45º colocado da primeira divisão da PBR americana, ele vai direto para a primeira divisão do principal campeonato do mundo.
''Talvez este ano o Brasil pague o suficiente para que um peão consiga vaga na primeira divisão americana. Uma etapa master nossa paga R$ 65 mil e o câmbio está bom, com o dólar baixo. A segunda divisão americana não paga muito mais que isso'', anima-se o ''dono'' da PBR Brasil. (W.S.)

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