Paus e pedras iniciam a história
Registros da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) mostram que os primeiros instrumentos agrícolas foram criados com paus e pedras há mais de 10 mil anos. Foi no século 13 que apareceu o arado de lâmina de madeira e só por volta dos anos 1600 foram desenvolvidos, na Europa, semeadores mecânicos e abanadores de cereais puxados por tração humana ou animal. Já a agricultura moderna ganhou força no fim do século 19, com o aparecimento das primeiras máquinas a vapor e dos motores a explosão.
A mecanização da lavoura, aliada a inovações como adubação e uso de defensivos e secagem, multiplicou por 10 a produtividade do solo e por 50 o trabalho agrícola no fim do século 19. As máquinas modernas encontraram seu ápice no fim do século 20, com a informatização e introdução da agricultura de precisão via satélite.
Conforme dados da Anfavea, a história da máquina agrícola brasileira tem como marco a fundição do primeiro bloco de motor diesel pela Sofunge, em 1955. Em 1960, a Ford abriu caminho, lançando o trator 8 BR Diesel, seguida pelos modelos das, hoje, Valtra e CNH New Holland. Em 1961, foi lançado o Massey Ferguson MF 50, com o maior índice de nacionalização até então. Sete anos depois, também foi a Massey a primeira empresa a montar um centro de treinamento para formação de tratoristas no País.
Os cultivadores motorizados nacionais começaram a ser fabricados em 1961 e tiveram seu recorde de produção em 1986, 7,1 mil unidades, marca até hoje não igualada. Em 1964 foi a vez da Agrale lançar seu trator compacto 4.100. Em 1976, começou a produção da John Deere, na época SLC.
Ainda de acordo com registros da Anfavea, a indústria brasileira de tratores cresceu modestamente até 1970, quando a produção saltou de 16,7 mil para perto de 25,5 mil unidades. A produção seguiu crescente até 1980, quando somou 77.478 tratores e outras máquinas agrícolas, ainda um recorde para o setor.
Os tratores de esteira apareceram em 1966, quando foram produzidas 13 unidades, e tiveram seu recorde de produção em 1976, com 4,6 mil unidades. As colheitadeiras alcançaram, em naquele ano, 6,4 mil unidades produzidas, com pico em 2004, com 10,4 mil unidades.
A partir de 2000, quando o governo passou a oferecer crédito para a mecanização por meio do Programa para Modernização da Frota Agrícola (Moderfrota), a produção da indústria de máquinas agrícolas saltou de 35,5 mil unidades para 44,3 mil, em 2001, e 69,4 mil, em 2004.
Mas em 2005, sob o impacto de pressões cambiais, estiagem e aumento no preço dos insumos, as vendas se retrairam para 23,2 mil unidades, 38,5% menos do que em 2004. Pela primeira vez as exportações superaram as vendas no mercado interno, 30,7 mil máquinas enviadas ao exterior, com um faturamento de US$ 2,2 bilhões. (M.G.)





