Pasto seco também engorda boi
Vânia Moreira
Neste período as pastagens ficam secas e pobres em nutrientes. Dependendo da quantidade e qualidade da suplementação, os animais podem até obter ganhos significativos de peso, com lucro para o produtor. É o que demonstra pesquisa feita pela Universidade Estadual de Maringá (UEM), a primeira no Paraná a estudar suplementação alimentar animal.
Segundo o professor titular do Departamento de Zootecnia da UEM, Ivanor Nunes do Prado, os pecuaristas brasileiros ainda fazem pouco uso da suplementação alimentar concentrada, por dois fatores básicos: um deles é o hábito, que o criador tem, de considerar qualquer gasto extra como despesa e nunca investimento. Outro fator seria a falta de informações sobre a opção de reforço alimentar para o rebanho. As pesquisas que estamos fazendo buscam, justamente, suprir a carência de informações técnicas e resultados práticos, diz Evanor.
ResultadosOs primeiros resultados das pesquisas feitas pelo professor da UEM foram anunciados sexta-feira, dia 4/6, em Umuarama, junto com o lançamento de uma linha de produtos de suplementação alimentar fabricados pela empresa Minerphós, utilizados nos estudos da UEM. Segundo Prado, esses produtos são os primeiros testados cientificamente. Na primeira pesquisa, realizada em Terra Rica, Prado analisou o ganho de peso bruto de novilhos anelorados em pastagens de braquiária decumbus.
Durante 95 dias, a alimentação dos animais foi suplementada com sal mineral e uma multimistura, contendo proteínas, energéticos, sais minerais e vitaminas. Os animais foram desverminados, divididos em dois grupos e mantidos em pastagens com taxa de lotação de 4, 5 cabeças por hectare.
O professor de zootecnia da UEM explica que a suplementação potencializa o consumo de massa seca no inverno. O animal é estimulado a ingerir maior quantidade de capim seco, embora o alimento não seja tão agradável ao paladar. As substâncias organo-minerais alteram a flora bacteriana do sistema digestivo, multiplicando a capacidade de absorção dos nutrientes do capim. Para a suplementação dar resultados, é preciso ter boa oferta de massa seca . Não adianta tentar suplementar animais em pastagens de grama mato grosso, exemplifica. Tem de ser braquiária, colonião ou pelo menos grama estrela. Um grupo de novilhos, com peso inicial médio de 255 quilos e idade aproximada de 18 meses foi suplementado apenas com sal mineral completo. O outro grupo recebeu também uma mistura múltipla.
Os animais que receberam apenas sal mineral ganharam em média 0, 22 kg por dia. Segundo Prado, o resultado pode ser considerado baixo, mas satisfatório, considerando que neste período é normal os animais estagnarem ou perderem peso. Já os novilhos aliemntados com a multimistura ganharam em média 0,52 kg. O custo total da suplementação foi de R$1,53 para o sal mineral e R$9,86 para a multimistura. A margem bruta de lucro ficou no primeiro caso foi de R$17, 77 e no segundo, R$36,70.
Ivanor Prado salienta que as pesquisas neste campo ainda estão começando. Ele está fazendo estudos no Sul do Paraná, onde é mais frio e predomina a pastagem hermátria. Outro ensaio está sendo feito na região Norte em pastagens de colonião. Para chegarmos a resultados seguros aqui no Paramá, temos de analisar o desempenho dos animais em diferentes condições de clima, solo e pastagens, informou. Segundo o professor, a suplementação alimentar animal começou a ser pesquisada há pouco tempo na Austrália. No Brasil, existem alguns estudos em andamento em São Paulo e Santa Catarina.





