Pastagens em situação crítica
Cristina Côrtes
De Londrina
Um inverno bem atípico, curto, seco e com geadas, dificulta a situação para pecuaristas. O Paraná está com quase 50 dias sem chuva, e o déficit hídrico é superior a 50%, principalmente nas regiões Norte e Noroeste. Os pastos sofreram com as geadas e não conseguem se recuperar por causa da falta de chuva.
Segundo o veterinário do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), Adélio Ribeiro Borges, tanto as pastagens nativas quanto as pastagens cultivadas no inverno estão em péssima situação, principalmente nas regiões Centro-Sul e Noroeste. As nativas sofreram com as geadas de julho, e em seguida, com a estiagem. Não houve rebrota e os pastos cultivados estão com pouco volume de massa verde.
PrejuízoCom esta situação a perspectiva a curto prazo é de queda de preço do boi, porque as ofertas devem aumentar. Muitos produtores não têm outra alternativa, senão reduzir a lotação de seus pastos, e isto deve gerar mais oferta, o que significa preço baixo, explica Adélio. Se o produtor não vender uma parte de seus animais, terá que fazer suplementação, o que também vai implicar em custos mais altos.
Nas regiões de Ponta Grossa, Guarapuava e Palmas, as pastagens de inverno mais usadas são aveia e azevém. Elas resistiram um pouco mais ao frio, mas nas regiões de Umuarama e Paranavaí, a brachiaria e o colonião plantados são mais sensíveis, e com o solo mais arenoso, a situação está ainda pior.
No Norte do Estado, regiões de Londrina e Cornélio Procópio, as condições dos pastos estão um pouco melhores. As geadas foram mais fracas e o tipo de solo retém mais a umidade, informa. As pastagens estão ruins, mas ainda há expectativa de que a chuva venha nos próximos dias e as recupere. A situação deve piorar, se a estiagem continuar, completa.
A orientação do técnico do Deral é a redução de lotação nos pastos e uso de suplementação. O produtor deve utilizar o que for mais barato e mais viável na sua propriedade. Com relação à venda de animais, Adélio diz que muitas propriedades estão superlotadas, porque nos últimos meses houve retenção de venda, na expectativa de preços melhores.
CulturasSegundo o agrônomo, Agenor Santa Rita, também do Deral, existem duas situações diferentes este ano no Paraná. Uma positiva e outra negativa. Para a maioria dos agricultores que estão no período de colheita de café, trigo, milho e cana, o clima está ótimo, porque sem chuva a colheita é facilidade e garante a qualidade dos grãos. Mas, para quem precisa plantar nesta época (caso dos produtores de feijão, milho e batata) a situação é difícil. Em algumas regiões já estamos passando da época recomendada para o plantio de feijão, e alguns lavradores que já plantaram correm o risco de não ter boa germinação, diz Santa Rita.
Estiagem e saúdeA umidade relativa do ar está bem baixa em todo o Paraná, com índices próximos do início das recomendações, por instituições de pesquisa, de algumas medidas para evitar problemas de saúde.
A baixa umidade do ar pode causar complicações respiratórias devido ao ressecamento de mucosas, sangramento pelo nariz, ressecamento da pele, irritação nos olhos. Para quem trabalha exposto ao clima, como é o caso de quem trabalha no campo, o Centro de Estudos e Pesquisas em Agricultura (Cepagri) da Unicamp recomenda, que as pessoas permaneçam, sempre que possível, em locais protegidos do sol. Evitar nos horários mais quentes, das 10h às 16h, trabalhos mais pesados no campo e tomar bastante líquido. Dentro de casa é bom umidecer o ambiente colocando toalhas molhadas e vasilhames com água.





