Pastagens bem cuidadas
Cuidar da sanidade das pastagens é um investimento de longo prazo e de proteção à natureza. A adoção de sistemas de recuperação de pastagens é um meio de devolver ao solo o que foi retirado durante anos e garantir produtividade tanto agrícola quanto pecuária. Um pasto degradado tem um reflexo ambiental grave a longo prazo porque é preciso do solo para sobreviver.
De acordo com o pesquisador da Embrapa Gado de Corte, de Campo Grande (MS), Araê Boock, a pecuária é um sistema, quando feito com competência, que permite agredir menos o ambiente e garantir a sustentabilidade. Quando mal feita, com pastagens mal manejadas e mantidas abaixo do nível de fertilidade, provoca degradação de áreas, além de queda na produção.
A solução, aponta o pesquisador, seriam as pastagens cultivadas, usando espécies corretas nos lugares adequados. Muitas das áreas de pastagens cultivadas hoje estão em locais inadequados, onde têm bom desenvolvimento inicial mas, depois de alguns anos, não se prestam mais a alimentar os animais; esgotam nutrientes do solo, e não têm condições de permanecer produzindo.
Em casos como esse, o produtor deixa de adubar por condições econômicas e, sem ajuda, a vegetação não tem condições de voltar a produzir. Há a introdução de novas espécies, de menor exigência nutricional, que provocam queda na lotação de animais; ou deixa-se degradar, o que é mais comum por questões econômicas.
A degradação de pastagens, segundo Boock, acontece em regiões onde se tinha fertilidade elevada da terra. Áreas foram desmatadas e derrubadas, onde primeiro entrou a cafeicultura. Depois foi introduzido o colonião e, a seguir a braquiária, caso do Paraná e sul do Mato Grosso do Sul. Hoje, nestas áreas houve o processo de lixiviação e erosão de muitos pastos e como os custos para recuperação são muito elevados, fica-se a mercê da degradação.
De acordo com o pesquisador, somente no Brasil Central são mais de 40 milhões de hectares de pastagens cultivadas e a estimativa é de que em torno de 60% a 70% têm algum grau de degradação. Pastos mais degradados estão em regiões do Paraná, São Paulo e Mato Grosso do Sul, que sofrem o processo há mais tempo. Mas em outras localidades, se não houver recuperação, a degradação é somente uma questão de tempo.
Uma alternativa, aponta Boock, é recuperar áreas de pastagens degradadas com agricultura, usando culturais anuais, o que tem sido feito no Noroeste do Paraná, por exemplo. A recuperação pode ser feita em 20% da área a cada ano e, ao final de cinco ou seis anos, estaria tudo recuperado.
A recuperação das áreas degradadas, alerta o pesquisador, é sempre mais barata (num sentido amplo) e menos danosa do que a abertura de novas áreas para pastagens. Ao utilizar gramíneas mais produtivas ou melhorar a fertilidade do solo nas pastagens implantadas, o pecuarista não precisará destruir áreas nativas que, por isso, são preservadas. (C.B.)





