Pastagem fornece mais proteína
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sexta-feira, 18 de abril de 1997
Luciane Tonon De Cornélio Procópio 
Fotos cedidas pela FALMJardimPlantação florida do amendoim-forrageiro que está sendo pesquisado pela Faculdade de AgronomiaOs pastos paranaenses poderão ter um complemento de grande valor proteico para o gado. Trata-se do Arachis pinto W.34B, uma espécie de amendoim forrageiro, que os professores de melhoramento genético da Faculdade de Agronomia Luiz Meneghel (Falm), de Bandeirantes, estão pesquisando.
O projeto está sendo desenvolvido pelos professores Sandremir de Carvalho e Luci Monçato, e poderá ser de grande valor para o pequeno produtor que não tem condições de investir em manejo de pasto. Tal benefício foi aprovado e está sendo apoiado pelo Banco do Brasil, que recentemente assinou um convênio de R$ 73 mil para a instalação de um laboratório genético molecular na Falm.
O Banco do Brasil tem interesse em financiar projetos de pesquisa que beneficiem o agricultor e acreditamos que este projeto será muito útil para a região, afirmou o gerente da agência do banco em Bandeirantes, José Sanches Navarro.
Do CerradoO Arachis pinto é uma planta brasileira, típica do Cerrado, descoberta em 1954 na Bahia por dois coletores estrangeiros. Segundo a professora Luci Monçato, assim que o material foi coletado no Brasil, foi levado para o Centro Internacional de Agricultura Tropical na Colômbia (Ciat), onde ficou mundialmente conhecido como Ciat 17 434.
Na Austrália descobriu-se o potencial forrageiro da planta, e para homenagear o Brasil colocaram o nome de Cultivar amarillo, em virtude da flor amarela que a planta dá, explica a professora. Em 1990, na Bolívia, a planta recebeu o nome de Mani forrageira perene (pelo amendoim que produz). Em 1995, a empresa de sementes Matsuda do Brasil importou a semente e lançou no mercado brasileiro um produto que já era nosso, acrescenta Monçato.
Os grãos (sementes) do Arachis pinto W.34B, uma forrageira originária do Cerrado
Hoje, o Centro Nacional de Recursos Genéticos (Cenargen), da Embrapa em Brasília, mantém para estudos 134 populações diferentes da planta. O projeto desenvolvido em Bandeirantes é uma adaptação da planta para a região Norte do Paraná, que por enquanto é conhecida como W.34B.
VantagensO W.34B é uma espécie diferente da que foi lançada pela Matsuda. É um material superior ao Amarillo e ao Perene - a planta é mais viçosa e se adapta a qualquer solo, diz o professor Sandremir de Carvalho. Segundo ele, a espécie estudada pela Falm tem melhor teor bruto de proteína, é resistente tanto à seca como a lugares encharcados e ao pisoteio dos animais.
A planta compete com as gramíneas, mesmo as de crescimento agressivo, informa o professor. Ele acredita que no Norte do Paraná, uma região de transição, será possível fazer a adaptação. Nós ainda não conhecemos a resistência da planta perante a geada, acrescenta.
Além destas vantagens, os professores observam que a planta se comporta bem em solos pobres, sem necessidade de adubação. Ela fixa 180 quilos de nitrogênio por hectare/ano no solo. Esta é considerada uma quantidade boa, comenta a professora Monçato.
Para o gado a planta libera 19% de proteína, além de ter uma boa palatabilidade. E para o agricultor a vantagem é que ele não terá que se preocupar com manejo de pasto. É plantar e deixar ali, ressalta a professora.
Segundo ela, os pastos normais precisam ser remanejados a cada cinco anos, para nutrir o solo. Com a Arachis não terão este problema. É uma planta leguminosa que faz a nutrição do solo sozinha, explica.
O projeto de adaptação da Arachis no Norte do Paraná deverá durar três anos. Por enquanto está em fase de pesquisa. Em setembro a planta será levada para o campo, onde ficará em observação por um ano e depois passará por uma seleção afunilada. Só então irá para a fase de multiplicação e distribuição para os agricultores interessados, completa o professor Carvalho.
As instituições que estão apoiando o projeto são: Cenargen, pelo professor José Francisco Valls; a Unesp de Botucatu, através da professora Celina Romero Lopes; a Falm, de Bandeirantes e o Banco do Brasil. Todos têm interesse em beneficiar o pequeno produtor e com isso melhorar a qualidade da carne e do leite que consumimos, salienta Monçato.
O laboratório de genética molecular, que será instalado na Falm, viabilizará os testes de DNA em qualquer espécie de plantas ou animais. Além de beneficiar os agricultores com as pesquisas, será de grande valia para os futuros agrônomos na formação acadêmica, diz a professora. Os interessados no projeto poderão entrar em contato com os professores pelo telefone (043) 742-5123 ramal 51.


