Passo a passo
O sucesso da formação de uma pastagem depende muito mais de conhecimento do que de sorte. O alerta está na publicação Passo a passo para a boa formação de uma pastagem, lançada em outubro do ano passado pela Embrapa Gado de Corte. Grande parte dos procedimentos para a boa formação, recomendados pela pesquisa, não implica em aumento de custos.
O preparo deve começar com coleta de amostras do solo para análise. Um técnico pode fazer recomendações de calagem e adubação, no que será considerado, também, o tipo de capim escolhido para o plantio.
Procedimentos corretosMetade da quantidade de calcário recomendada deverá ser esparramada na área antes da aração e, a outra, após a primeira gradagem. A primeira movimentação do solo pode ser feita com arado ou grade-aradora, incorporando todo o material vegetal existente na superfície. Em seguida, com uma grade niveladora, faz-se destorroamento do solo, nivelamento da superfície e eliminação de eventuais invasoras. Entre os cuidados no preparo do solo está o controle de erosão, com a construção de terraços e curvas de nível, executadas após o nivelamento.
Deve-se evitar número exagerado de gradagens. A calagem deverá ser feita entre 60 e 90 dias antes do plantio. É importante esperar que o material vegetal incorporado ao solo pela aração apodreça antes do plantio; do contrário as sementes morrerão pelos efeitos da fermentação do material.
O plantioA melhor época de plantio é quando chove com maior frequência (novembro a janeiro no Brasil Central, no Paraná até fevereiro). Em áreas queimadas, no entanto, deve ser feito sobre as cinzas, antes da ocorrência das primeiras chuvas.
Seja qual for o método escolhido, o plantio deve possibilitar a distribuição uniforme das sementes por toda a área. A boa regulagem da plantadeira é uma forma de garantir quantidade certa de sementes plantadas. O número varia de acordo com o tipo de capim e o lote de sementes.
As sementes devem ser cobertas pelo solo após sua distribuição na área. As semeadeiras de linha e as matracas fazem isto automaticamente. O enterrio excessivo também é uma causa frequente de insucesso na formação das pastagens.
Sementes miúdas como as dos capins colonião, tanzânia, mombaça, andropogon e setária devem ser enterradas a dois centímetros de profundidade, as sementes de brizantão e humidicola devem ser plantadas a não mais do que quatro centímetros.
Para a boa formação de um pasto é necessário obter, no mínimo, 20 plantas nascidas e bem distribuídas, por metro quadrado no caso dos capins braquiarão (brizantão), decumbens e humidícola. Para os capins setária, andropogon, colonião, tanzânia e mombaça, são necessárias 40 plantas por metro quadrado. O primeiro pastejo, quando feito de modo correto, garante o sucesso de uma formação bem iniciada. Deve ser feito logo que as plantas estiverem crescidas e cobrindo toda a área plantada. Neste caso, é melhor utilizar animais leves (jovens), para fazer apenas um desponte das plantas. Nesta fase, se forem utilizados animais pesados, as plantas poderão ser arrancadas durante o pastejo.
Se o primeiro pastejo for bem mais tarde muitas plantas morrerão por causa da competição entre elas. Isso aumenta os espaços vazios na pastagem, diminui a produção de capim e facilita o crecimento de ervas daninhas. A partir do primeiro pastejo, à medida em que as plantas se desenvolvem, a pastagem pode passar a ser utilizada normalmente.(C.B.)





