Curitiba Um grupo de produtores de Agudos do Sul (a 70 km de Curitiba), especializado na criação de coelhos, se organizou para abastecer o mercado interno, mas o foco principal é exportar. Eles querem seguir o exemplo dos colegas argentinos que, em dois anos, instalaram nove frigoríficos especializados para atender a demanda internacional.
A busca pelo mercado externo é mais uma alternativa do grupo em garantir a comercialização da carne, cujo consumo no País ainda é pequeno. Os cunicultores de Agudos do Sul não escondem as dificuldades para se manter na atividade. Além do consumo eles enfrentam a falta de legislação e de local adequado para o abate dos animais a cidade dispunha de um único frigorífico que fechou. Um primeiro passo para melhorar o setor foi a organização dos criadores numa cooperativa.
A cooperativa permitiu estabelecer parceria com a rede Carrefour, e com ela uma marca: A Coelho Brasil. O supermercado identificou nessa aliança a possibilidade de imprimir o selo ''Puro de Origem'', destinado somente a produtos com rastreabilidade.
O presidente da cooperativa, Dirceu Alves do Carmo, conta que, dos 22 criadores que fundaram a instituição, apenas 15 continuam na atividade e empenhados em recuperar a rentabilidade, hoje, com ganhos na ordem de 12% a 15%. ''A margem de lucro varia conforme o manejo adotado pelo produtor'', explicou.
A boa notícia é que os criadores firmaram recentemente um novo contrato de parceria com mais uma rede de supermercados. A cooperativa foi procurada pelo grupo Sonae para também ser fornecedora de coelhos para as lojas Big dos Estados do Sul. Nos moldes do Carrefour, a rede vai implantar a venda de produtos com rastreabilidade por meio do ''Clube do Produtor'', selo característico da busca de produtos direto no campo.
As duas redes de supermercados fizeram parcerias com os produtores para garantir o fornecimento de uma linha de produtos diferenciados, com rastreabilidade dos animais do nascimento ao abate. Conforme exigência dos contratos, os coelhos não podem apresentar resíduos químicos na carcaça esses estabelecimentos verificam a ausência desses produtos em testes de amostragem.
A partir do novo contrato com a rede Sonae, já em vigor, a cooperativa espera no mínimo dobrar a produção. ''Esse novo contrato deve estimular o retorno dos criadores que desistiram da atividade'', presume. A rede Sonae vai promover uma campanha de desgustação de carne de coelho nos supermercados Big e Mercadorama para conquistar o consumidor.

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