Parte da safra perde qualidade
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sábado, 08 de fevereiro de 1997
Silvana Leão 
Josoé de CarvalhoProblemaCom o atraso da colheita, os grãos podem ficar ardidos e apodrecer na espiga, comprometendo a qualidadeO excesso de chuva registrado até o início desta semana atrasou a colheita do milho, e parte da produção foi danificada pelo alto índice de umidade. Indústrias de alimentos e ração já estão, inclusive, recusando lotes do produto com porcentual de grãos avariados e ardidos acima de 6%, que é o limite tolerado por estas empresas.
O atraso na colheita ocorreu devido à dificuldade encontrada pelos produtores em entrar com as máquinas nas lavouras embaixo de chuva. E também porque colher o grão úmido significa aumento nos custos de secagem. Pesquisadores reunidos no Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) no sábado passado, para reunião promovida pela Fundação de Apoio à Pesquisa e ao Desenvolvimento do Agronegócio - Fapeagro (ver matéria na página 5), acreditam em perda de até 10% em termos de qualidade e quantidade da safra de milho.
José Gomes, gerente executivo da Fapeagro, lembrou que o problema foi acentuado em algumas regiões, como o Oeste do Paraná, onde faltou diversificação de cultivares e marcas, colocando praticamente todos os produtores na mesma situação. Já as cooperativas não acreditam em grandes prejuízos, afirmando que as chuvas não chegaram a comprometer um alto índice dos grãos. Até quarta-feira, poucos produtores haviam se arriscado a colher, tornando difícil a avaliação por parte dos técnicos.
Padrão aceitávelSegundo Osvaldo Rodrigues Júnior, engenheiro agrônomo responsável pela Fazenda Canadá, em Nova Fátima (Norte do Estado), apenas 2% dos aproximadamente 1.500 hectares de milho na propriedade germinarama espiga. O estrago não foi maior porque as lavouras ainda estavam em início de maturação, afirmou.
José Donizeti Pitoli, sócio-gerente da cerealista Pitoli & Vilela, de Cornélio Procópio, também acredita que o porcentual de grãos comprometidos esteja entre 1,5 e 2%, que é considerado alto em relação à média histórica (de 0,3 a 1%), mas dentro dos padrões aceitáveis pela indústria de rações e alimentos. O atraso na colheita até ajudou a manter o preço do produto em janeiro, de R$ 5,40 a saca, em média, pago ao produtor. A preocupação, agora, é com novos períodos prolongados de chuva, disse Pitoli. A cerealista espera receber 15 mil toneladas de milho para armazenamento e comercialização, nesta safra.
RecusaEntre as indústrias que estão tendo problemas com a qualidade do milho, colhido logo depois das chuvas, acha-se a Ceval Alimentos, de Jacarezinho (Norte Pioneiro). Rogério Martins da Silva, que trabalha na área de compras e qualidade da empresa, afirmou que no início desta semana, de 10 cargas recebidas para produção de ração para aves, 4 foram recusadas por estarem com o porcentual de grãos avariados acima de 6%.
A indústria não tem interesse por este milho, porque nós não fazemos liga, como fazem as cooperativas, que misturam o produto ruim a outro de qualidade superior, fazendo com que o lote atinja o padrão do tipo 2, explicou o técnico da Ceval. Silva lembrou que o controle de qualidade é mais rígido quando se trata da produção de ração destinada à avicultura. No caso dos suínos, o padrão pode ser mais baixo.
Ele não acredita, porém, que o porcentual de grão comprometido desta safra chegue a abalar o mercado, pois se trata de um problema momentâneo de determinado segmento da indústria. Silva calcula que cerca de 10% das lavouras de milho localizadas nos 48 municípios em que a Ceval atua estejam sendo colhidas em condições ruins.
SementesEm relação à oferta de sementes, o excesso de chuva não deve causar dificuldades de abastecimento. O porcentual de perda não chega a ser significativo, pois muitos campos estão mais atrasados, já que os produtores de sementes procuram ter o cuidado de diversificar o plantio, disse Rogério Rizardi, presidente da Associação Paranaense de Produtores de Sementes e Mudas (Apasem).
Rizardi observou que talvez haja a necessidade de ajuste no abastecimento. Neste caso a Apasem terá que buscar sementes em outros Estados, como Santa Catarina, mas se trata, segundo o presidente da entidade, de uma medida natural.


