A queda da renda do produtor rural e um mercado cada dia mais exigente está resultando na mobilização de toda a sociedade, em busca de alternativas. O Estado não tem mais recursos para investir sózinho no desenvolvimento da agropecuária, e convocou todos os organismos do setor em uma parceria que pode ser a saída para a qualidade e a competitividade.
‘‘Isolada, nenhuma das etapas da produção poderia disputar com sucesso o novo mercado globalizado’’, analisa o presidente da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Ágide Meneguette.
SanidadeA alternativa apontada pelo Poder Público, e aceita pela iniciativa privada, foi criar conselhos para gerenciar a sanidade agropecuária. A proposta está sendo levada a todos os municípios-pólos do Paraná, que iniciam a formação de conselhos de sanidade agropecuária com profissionais locais.
‘‘O técnico e o produtor sabem melhor do que ninguém o que está acontecendo em sua cidade’’, diz o secretário-executivo do Conselho Estadual de Sanidade Agropecuária, Wilson Pan. Cada organismo será composto de 16 representantes da iniciativa privada e 11 do setor público.
A finalidade dos conselhos é ‘‘fechar o ciclo’’ no controle e fiscalização da sanidade animal e vegetal, chegando inclusive à agroindústria. Pan explica que o Estado fica responsável pelo cumprimento das leis e acordos internacionais, que precisam ser cumpridos à risca para garantir o mercado. Cabe à iniciativa privada o papel da vigilância sanitária, e implementar as campanhas preventivas e de vacinação. O Conselho formará ainda um fundo, que será utilizado para indenizar criadores que tenham o rebanho atingido por algum problema relacionado a sanidade. ‘‘O fundo evitará prejuízos que afetem todo o setor’’, explica Pan.
Os conselhos terão também o papel de eliminar as doenças animais que prejudicam a imagem do produto no mercado, como brucelose, tuberculose, peste suína e febre aftosa, entre outras. ‘‘Vamos trabalhar também na área vegetal, eliminando alguns obstáculos que impedem a entrada de certos produtos em mercados mais exigentes’’, diz ele. A prioridade é alcançar grãos e derivados sem resíduos de agrotóxicos. O Conselho pretende ainda abrir o debate em torno do uso de produtos geneticamente modificados, como a soja transgênica, hoje presente em alguns países apesar da resistência dos setores mais próximos à defesa da agricultura natural.
ConscientizaçãoA abertura de mercado, segundo Pan, exige o envolvimento de todos os setores ligados à agropecuária em um trabalho de parceria pela qualidade. ‘‘Sem isso não existe como alcançar um atestado de sanidade válido para o mercado externo’’, diz ele. Os conselhos municipais também não pretendem punir os agricultores e pecuaristas que resistirem. A intenção é conscientizar, o produtor, de que a realidade é outra, e que o caminho é a união que garantirá a sobrevivência.
‘‘O Paraná está saindo na frente no trabalho de união de todo o setor produtivo rural, e a expectativa é chegar na frente também no momento de comercializar’’, avisa Pan.
O secretário de Agricultura do Paraná, Antônio Leonel Poloni, disse na semana passada, em Maringá, onde anunciou a criação dos conselhos municipais em 29 municípios, que o Estado não tem mais recursos para promover a defesa sanitária. ‘‘Acabou o paternalismo; agora a sociedade tem que assumir junto com o Poder Público o papel de agente de desenvolvimento da agropecuária’’, conclamou. Poloni cobrou não apenas a busca da sanidade animal e vegetal para alcançar a qualidade. ‘‘A propriedade tem que cumprir o papel social e garantir a preservação do meio ambiente’’, completou.
A agropecuária representa 15% do Produto Interno Bruto (PIB) do Paraná, que é de 52 bilhões de dólares. Junto com os agronegócios, que vão da produção à comercialização e à industrialização dos produtos primários, o peso do setor chega a 55% do PIB. ‘‘O Estado já ocupou todo espaço disponível para a agropecuária, que agora precisa apostar na tecnologia, para ampliar a produção e no trabalho em cima da sanidade para garantir o mercado’’, afirma Poloni. O seminário de Qualidade e Competitividade na Agropecuária, que define a formação das comissões municipais, será realizado nos próximos dias 17 e 18 de março em Toledo, Campo Mourão, Paranavaí e Pato Branco.Marcos NegriniUm dos mercados mais exigentes, o da carne, quer mudanças na garantia de qualidadeMarcos Zanatta

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