Parcerias garantem difusão de tecnologias
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sexta-feira, 15 de abril de 2005
Jaime Kaster<br>Reportagem Local 
Nos últimos 20 anos, em parceria com organizações públicas e privadas, a Embrapa Soja desenvolveu 206 cultivares do grão, sendo que 80 delas estão atualmente no mercado e respondem por 60% da produção nacional de sementes. O programa de melhoramento genético da Embrapa Soja é o maior do gênero no mundo para a região dos trópicos. Ele tem abrangência nacional, envolvendo todos os Estados brasileiros onde a soja é cultivada comercialmente.
Essa abrangência só foi possível graças às parcerias que a empresa foi estabelecendo ao longo dos anos com instituições públicas e privadas, estrategicamente localizadas nas regiões produtoras. ''As tecnologias que desenvolvemos só estão hoje ao alcance do produtor e gerando aumentos progressivos de produtividade em função disso'', ressalta o chefe de Comunicação e Negócios da Embrapa Soja, Norman Neumaier.
Segundo ele, a maior parte das parcerias são externas, divididas de acordo com as fases de cooperação com a Embrapa: na geração da tecnologia, na validação e finalização da mesma e, por fim, na transferência, ou difusão. Historicamente, as parcerias sempre foram mais necessárias na transferência da tecnologia. ''Para este trabalho temos como parceiros as empresas de assistência técnica dos vários Estados, as fundações privadas, cooperativas, empresas estaduais e órgãos de pesquisa como o Instituto Agronômico de Campinas (IAC) e o Iapar'', cita Neumaier. Em alguns casos, essa ligação é muito estreita, a ponto de, por exemplo, funcionários da Emater-PR trabalharem dentro da Embrapa Soja, visando tornar mais eficaz essa transferência.
A ferramenta mais utilizada para a difusão de tecnologia são os dias de campo, muitos deles promovidos por fundações privadas, que têm como sócios-cotistas, em sua maioria, empresas produtoras de sementes. A Embrapa Soja tem parceria com oito fundações: Pró-Sementes (RS), Meridional (PR), Vegetal (MS), Centro-Oeste (MT), Triângulo (MG), CTPA (Centro Tecnológico para Pesquisas Agropecuárias, localizado em Goiás), Fundação Bahia (BA) e Fapsen-MA (Fundação de Amparo à Pesquisa do Corredor de Exportação Norte, no Maranhão).
As parcerias com as fundações visam ampliar o máximo possível a presença física da Embrapa Soja nas diferentes regiões do País. ''Muitas vezes, para conseguirmos essa capilaridade, fazemos acordos com essas fundações, o que permite manter os nossos melhoristas (genéticos), sua equipe de apoio e mais uma estrutura em locais distantes. Porque temos um orçamento limitado e, sozinha, a Embrapa não teria condições financeiras, materiais e humanas para estar presente nas novas regiões produtoras'', diz Neumaier.
Para colocarem sua estrutura à disposição da Embrapa, essas fundações exigem uma contrapartida. Uma delas é que pesquisadores da instituição se desloquem até estas regiões dar palestras e cursos aos produtores. ''Isso é muito bom porque assim o agricultor vai ficando cada vez mais tecnificado e sabemos que as novas cultivares que desenvolvemos estão sendo usadas. E é essencial para termos no Brasil uma sojicultura sustentável'', salienta o chefe de Comunicação e Negócios da Embrapa.


