Saudáveis e nutritivos, os alimentos orgânicos vêm ganhando mais espaço na mesa dos consumidores. Além de preservar o meio ambiente, impedindo a contaminação do solo, das águas e reduzindo a erosão causada por produtos químicos, o alimento orgânico é mais saboroso.
Segundo o técnico do Deral, em dois ou três anos a terra começa a se equilibrar, incrementando a produtividade e o rendimento iguala-se ao de uma plantação convencional. O alimento é colhido livre de resíduos agrotóxicos e possui mais nutrientes e sabor'', argumentou.
Dados da Federação Internacional de Agricultura Orgânica (Ifoam) apontam que a produção mundial de orgânicos cresce a uma taxa de 20% ao ano. No Paraná, o crescimento é mais acelerado, em torno de 40% ao ano. São 3.958 produtores de grãos e animais orgânicos. A safra 2002/2003 produziu 52.270 toneladas, um aumento de 9% em relação à safra anterior. ''O aumentou freou, pois em outro anos o crescimento chegou a 30% ao ano. Mesmo assim, o Paraná ainda é o segundo maior produtor de alimentos orgânicos do País'', ressaltou.
Entre os motivos da queda do crescimento Lunardon cita a dificuldade de comercialização, a concorrência com a soja convencional, que sofreu alta nos preços na última safra, e a redução de operação de algumas empresas.
Para contornar as dificuldades, o técnico sugere investimentos em feiras verdes, para um contato direto com o consumidor, preparação de cestas domiciliares e fornecimento de alimentos para merenda escolar. ''Este último é um ótimo mercado, pois demanda uma grande quantidade de produtos'', afirmou.
Segundo o técnico do Deral, a certificação dos produtos também pode ser um fator limitante para a produção orgânica. ''Neste caso, a solução é a organização dos produtores em associações'', previu.
Parcerias Com o intuito de ampliar o mercado, os agricultores do Vale do Ivaí estão investindo em marcas próprias, que identificam o produto e dão credibilidade.
''As embalagens e etiquetas transmitem confiança ao consumidor. Nosso papel é auxiliar numa visão de mercado mais empreendedora para desenvolver estratégias simples que tenham reflexo na comercialização'', declarou Marcos Batista, consultor do Sebrae/PR no Vale do Ivaí.
A região já possui quatro associações formais e 79 agricultores foram certificados pelo Instituto de Biodinâmica (IBD). Outras 39 propriedades estão em fase de conversão para o cultivo orgânico. As ações conjuntas são desenvolvidas para dar autonomia ao agricultor, que busca apoio para viabilizar empreendimentos no setor.
Os doces Milena são um exemplo de marca própria na região. Criada pelo agricultor Milton Bonini, de São Pedro do Ivaí (62 km ao sul de Apucarana), que produz rapadura, cocada, soja, pé-de-moleque e mel, a marca está sendo comercializada há seis meses.
''Nós usamos a criatividade e agora os clientes já reconhecem nosso produto'', comemora o produtor, que desenvolveu a marca a partir do curso de manipulação de alimentos organizado pelo Sebrae/PR.
A própria produção de alimentos orgânicos já aumentou a margem de lucro para Bonini. ''Antes, o que eu ganhava, mal dava para saldar as dívidas com os adubos e venenos'', lembrou o produtor. O próximo passo é criar adesivos para as embalagens.
Estratégias Gisele Bianchini e Leonardo Florenço, que produzem geléias e licores de uva e morango, feijão, milho, batata doce e hortaliças, utilizam a criatividade para escoar a produção.
''Nós colocamos placas na rodovia para as pessoas visitarem e colherem os morangos no local. No sistema 'colha e pague', as famílias aproveitam para conhecer os orgânicos, como é feito o adubo, a plantação, quais as vantagens'', contou Gisele, que produz orgânicos a um ano e meio e integra a associação de Marilândia do Sul (34 km ao sul de Apucarana).
Segundo ela, esse processo elimina intermediários, diminuindo o custo para o consumidor. ''Eu costumo dizer que se você quer ficar rico, desista. A maior vantagem é a qualidade de vida, é saber que o que você deseja para a sua família e o que está oferecendo para o consumidor''.
Mais uma estratégia para ampliar o mercado é a venda de cestas de hortaliças orgânicas entregues em casa. ''Todas as semanas entregamos as cestas e não damos conta dos pedidos'', alegrou-se Mauroney Aparecido de Andrade, produtor que comercializa cestas com dez itens, entre eles tomate, pepino, vagem, rúcula, maracujá e cenoura.
Outra ação dos agricultores do Vale do Ivaí é o mapeamento dos produtos comercializados na região, para que os produtores invistam na diversificação e atendam a demanda por outros produtos.
O consultor do Sebrae/PR, Marcos Batista, acredita que as associações contribuem para esse processo porque favorecem a troca de experiências e permitem compras em conjunto, que barateiam os custos de transporte e o preço das sementes.

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