O Projeto Centro-Sul de Feijão e Milho, promovido pelo Instituto Estadual de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) em parceria com o Instituto Agrômico do Paraná (Iapar), a Embrapa e a Syngenta, visa aumentar a rentabilidade e a produtividade das culturas com preservação ambiental para inserir outras alternativas de renda na agricultura familiar. Por meio do projeto, os agricultores têm acesso em primeira mão à cultivares recém lançadas.
''Durante os anos de pesquisa, a iniciativa contribuiu para o aumento de 72% na produtividade do feijão, além do incremento de 122% no rendimento do milho'', afirma o coordenador estadual do projeto pelo Emater, Germano Kusdra. O projeto atua diretamente em 43 municípios do Estado, mas a abrangência chega a 61 cidades.
Segundo ele, a cultura de feijão é baseada na agricultura familiar, responsável por 70% da produção no Estado. No entanto, em razão do ciclo curto, é geralmente inserida na rotação com outras culturas, o que tem ampliado sua participação na agricultura empresarial, onde se estabelece no período de entressafra. Kusdra revela que tem se observado uma redução no número de pequenos produtores de feijão e um crescimento de grandes produtores interessados na leguminosa. A otimização de maquinário utilizado para outras culturas, como a soja, e a carência de mão de obra têm contribuído para o aumento da colheita mecanizada de feijão no Estado.
O programa de feijão do Iapar realiza pesquisas relacionadas ao manejo de pragas e doenças, fertilidade e época de semeadura, mas o foco principal é o desenvolvimento de novas cultivares com alto potencial de rendimento, baixo custo de produção - conquistado pela resistência a doenças - e com qualidade comercial, tecnológica e nutricional. ''Alto potencial produtivo, estabilidade de produção e alta qualidade do produto resultam em agregação de valor e aumento da renda do produtor'', salienta a pesquisadora Vania Moda Cirino.
Outro enfoque do Instituto é o desenvolvimento de variedades com arquitetura ereta e resistência ao acamamento, para facilitar a colheita mecânica direta. A pesquisa também busca cultivares precoses com ciclo de até 75 dias, com o objetivo de favorecer a inserção da cultura do feijão em diferentes sistemas de produção.
Segundo Vania, na década de 1980, o Estado mantinha área cultivada próxima a 800 mil hectares com a oleaginosa, com produtividade média de 600 kg/ha. Hoje, a área ocupada pela cultura é de 471 mil hectares, mas o rendimento chega a 1.300 kg/ha. ''Nos últimos 25 anos, a área plantada com feijão caiu aproximadamende 35%, mas a tecnologia usada pelos agricultores, principalmente as variedades, fez a produtividade subir cerca de 120% nesse período'', ressalta.(M.F.)

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