Tecnologias são fundamentais para bons resultados na produção agrícola, sobretudo quando se fala em segurança alimentar. O desenvolvimento de tecnologias depende de esforços conjuntos de pessoas e instituições e do compartilhamento de informações. É o que ocorre entre a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e o Japan International Center for Agricultural Sciences (Jircas) que mantêm parceria há 14 anos.
Um dos principais ganhos da parceria é o desenvolvimento de materiais com tolerância à seca, com a disponibilidade do gene DREB (Dehydration Responsive Element Binding Protein ou Proteína de Resposta à Desidratação Celular). A partir de acordo de transferência, assinado em 2003, o gene foi liberado pelo instituto japonês para pesquisas pela Embrapa.
Kenji Iiyama, presidente do Jircas, esteve no Brasil na semana passada para discutir a cooperação técnica e conhecer os laboratórios de pesquisa da instituição brasileira. Visitou a Embrapa Cerrados, onde se realizam estudos sobre a tolerância do trigo à seca na região. Depois reuniu-se com pesquisadores da Embrapa Soja, em Londrina. Iiyama estava acompanhado dos especialistas japoneses Norihito Kanamori, que pesquisa a tolerância à seca, e Hajime Akamatsu, que se dedica ao estudo da ferrugem.
''A questão da segurança alimentar é fundamental para o Japão'', diz Iiyama ao justificar a parceria entre Jircas e Embrapa. Segundo ele, 60% dos alimentos consumidos pelos japoneses são importados, especialmente dos Estados Unidos. ''Se os norte-americanos tiverem problemas com a produção agrícola, não exportarão para nós'', afirma.
Dirigentes do Jirca avaliam que se houver aumento da produção e produtividade no Brasil o Japão acabará beneficiado. Atualmente, segundo Iiyama, 13% da soja e 90% do frango consumidos no Japão são de origem brasileira.
Para o Brasil, a cooperação é da mesma forma vantajosa. O chefe geral da Embrapa Soja, Alexandre Cattelan, afirma que a parceria permite o desenvolvimento de materiais resistentes à seca e à ferrugem. Em 2008, o Jircas liberou para a Embrapa a utilização do gene também para as culturas do milho, algodão, feijão e cana-de-açúcar.
''As pesquisas são importantes em função das mudanças climáticas previstas'', diz. A parceria com a instituição japonesa já possibilitou a geração da soja tolerante à estiagem. Segundo Cattelan, o material desenvolvido nos laboratórios da Embrapa Soja aguarda autorização no CNTBio para testes em campo.
O presidente do Jircas afirma que um dos resultados da visita ao Brasil foi o convênio firmado com a Embrapa Cerrados que vai implantar um escritório do Labex (modelo já existente em alguns países) em Tsukuba, considerada a cidade da ciência no Japão. ''A proposta é que seja instalado na sede do Jircas'', diz, avaliando que o Labex vai aumentar a cooperação entre os dois países.

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