A comercialização é um ponto crítico na produção de hortifrutigranjeiros. De novembro a março o excedente de produção da região norte do Paraná, influencia ainda mais a baixa rentabilidade com a venda de produtos. Para vencer essa barreira, produtores e atacadistas do Ceasa de Londrina estão preparando uma campanha para incentivar um consumo maior de legumes, folhosas, frutas, entre outros. Essa campanha é um dos frutos da parceria que produtores e atacadistas montaram há dois anos. A parceria possibilitou solucionar problemas do setor, entre eles a reativação da unidade da Ceasa.
Crise e reativação As Ceasas foram criadas com o compromisso de garantir o abastecimento de hortifrutigranjeiros, com a função de ajudar produtores a terem um local específico para comercialização.
A unidade atacadista de Londrina foi criada há 18 anos. Entretanto, a entidade teve pouco tempo de vida atuante. Em 1986, devido à administração centralizada do Estado, que não concedia espaço para os usuários locais, houve um movimento dos produtores contra a Ceasa.
Nesse período atacadistas e produtores partiram para um condomínimo particular, o Mercadão do Povo, no Jardim Ideal, em Londrina. Mas durante o período em que o espaço foi utilizado, a realidade não agradou os usuários, sobretudo os produtores. A partir de 1995 começou a ser desenvolvido um trabalho de reativação da unidade da Ceasa Londrina. A reativação aconteceu em 1998.
O Paraná tem cinco unidades da Ceasa: Curitiba, Londrina, Maringá, Cascavel e Foz do Iguaçu. Segundo Clóvis Fumio, em outras unidades não há parcerias como em Londrina. ‘‘A imagem de Londrina é exemplo no Paraná. Existem 90 Ceasas no Brasil e Londrina estava ranqueada entre as últimas e hoje, pelo volume comercializado, está no oitavo lugar.‘‘
Mercado planejadoSegundo o presidente da Associação Representante dos Usuários da Ceasa de Londrina (Arocel), Clóvis Fumio Tsuzaki, a campanha para estimular o consumo de verduras e frutas deverá melhorar a rentabilidade também dos atacadistas que abastecem supermercados, feirantes e até outras unidades da Central no Paraná, São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso e Goiás.
O presidente da Associação Norte-Paranaense de Horticultores (Apronor), que tem 1.200 sócios, João Neto do Prado Souza, critica a política que vem sendo adotada pela assistência técnica privada de direcionar a produção de frutas e hortaliças como alternativas para viabilizar a propriedade agrícola, especialmente as pequenas áreas.
‘‘O produtor planta, mas depois não sabe para quem vender. Com isso, a quantidade de horticultores vem aumentando dentro do Estado e o reflexo está nos preços, que acabam ficando cada vez menores.’’
A situação também afeta atacadistas, garante Clóvis Fumio. ‘‘Quando há excedente de produção de determinados produtos, por exemplo o pepino ou a vagem, os riscos de perda são maiores’’.
Depois da parceria, segundo Clóvis Fumio, atacadistas e produtores têm conseguido programar melhor o mercado. ‘‘Pelo tamanho do mercado de Londrina é possível enxergar os produtos que estão sendo produzidos localmente e não saturar, evitando prejuízos aos produtores.’’
Os atacadistas compram de produtores locais e de outras regiões do País. ‘‘Quando o produto vem de fora é em função de abastecer o que falta aqui e não de competir com o produtor local. Compramos para complementar o mercado’’.
Escoamento da safra De acordo com João Neto, o objetivo da campanha que está sendo preparada é ‘‘vender’’ o projeto aos supermercados e feirantes de toda a região para garantir o escoamento da produção.
A safra começa em 30 a 40 dias. ‘‘A idéia é mostrar a importância do consumo de frutas, folhas e legumes; suas propriedades nutricionais e medicinais, com receitas e orientações de melhor preparo’’, explica João Neto. Produtores e atacadistas esperam conseguir patrocínio para a campanha no setor de insumos da atividade.
Melhor remuneração ‘‘Queremos mudar a visão dos supermercados, por exemplo, de fornecer ao seu consumidor um serviço diferenciado. Vender não só quantidade, mas qualidade e remunerar melhor o produtor, ou pelo menos que ele (o atacado) se programe melhor e não aconteça tanta devolução de produtos’’, completa João Neto. A devolução é prejuízo para produtores e atacadistas.
Tanto na Ceasa quanto em outros pontos de venda as perdas são ocasionadas principalmente em função do clima, especialmente o calor, para os produtos perecíveis. ‘‘Quando um supermercado não se programa e perde alta quantidade de um produto e não vende o prejuízo é nosso’’, afirmam os parceiros.
Dentro da Ceasa os produtos que perdem na classificação pela qualidade, uma média de 4%, são doados para um cooperativa de instituições que reúne 220 entidades assistenciais da região.
De acordo com João Neto, cerca de 1,5% do volume diário entregue na unidade vai para o lixo. A perda nos supermercados ou outros estabelecimentos de venda, até chegar ao consumidor, chega a 10%. O produtor, desde a colheita até o consumidor, soma perdas de 20% na sua produção.
Oferta e demanda Na Ceasa, aproximdamente 500 produtores fazem sua entrega diária, mas não há um compromisso de vender ali todos os dias. O produtor pode procurar por melhores preços em outros pontos de venda, como supermercados, e comercializar o excedente na Ceasa.
Os dias de maior movimento são terça, quinta e sábado. A venda funciona como uma bolsa, onde oferta e demanda ditam os preços dos produtos. O nível de qualidade e a quantidade também provocam oscilação dos preços.
A organização do mercado é feito em conjunto. A Ceasa começa a funcionar a partir das 3h30 da manhã. Os produtores vendem para supermercados, cozinhas industriais, sacolão, feirantes, entre outros. Na unidade de Londrina os produtores têm quatro pavilhões para vender a produção. As coberturas foram feitas com recursos próprios. O espaço foi cedido em comodato de 12 anos com o Governo do Estado.
Os atacadistas somam 70 empresas em 143 boxes, abastecem basicamente os mesmos clientes que os produtores, além de outras unidades da Ceasa. Eles têm dois pavilhões onde estão instalados os boxes e estão construindo mais um.
Exportador de produtos A comercialização na Ceasa, segundo os parceiros, oscila muito conforme época e clima. A média é de 15 a 20 mil/toneladas/mês. O Paraná é exportador de produtos. De novembro a março, na safra, a produção e venda podem ultrapassar as 30 mil toneladas/mês.
‘‘A Ceasa de Londrina abastece, além da região, outras unidades da entidade no Paraná e atacadistas, supermercados e feiras de outros Estados como São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso, Goiás, entre outros. Na época de pico da produção são vendidos entre 30 a 35 mil toneladas/mês’’, afirma Clóvis Fumio.