Uma experiência que exemplifica a parceria entre indústria e agricultores de erva-mate para o incremento da produção é a da Fazenda Ouro Verde, de São Mateus do Sul (190 km de Curitiba). São 200 alqueires de erva-mate, cultivados sem uso de nenhum agrotóxico, diz o proprietário, Bruno Jordão Filho. ''Os compradores que vêm de fora sabem disso e procuram as indústrias para as quais eu forneço'', afirma.
A Fazenda Ouro Verde produz atualmente 300 toneladas e a meta é de 1 milhão dentro de cinco anos, relata Jordão Filho. Um dos principais trabalhos feitos na Fazenda é a aplicação da técnica de progênese, que consiste em examinar se as mudas plantadas são descendentes das plantas selecionadas. Para Jordão, isso vai possibilitar que a erva-mate cultivada não receba preço menor do que a nativa. ''Se eu uso semente da erva nativa, a nova planta também é nativa'', opina.
As plantas de cerca de 1 alqueire da fazenda são usadas exclusivamente para a colheita de sementes de erva-mate. ''É preciso ficar sem colher as folhas por seis anos'', salienta Jordão. Mas a coleta não é manual. ''Quando chega a hora, colocamos uma lona embaixo da planta para que elas caiam naturalmente, assim o índice de germinação é muito maior'', relata.
Quando a produção passar de 250 mil, Jordão quer fazer a comercialização das sementes. ''Até lá espero ter sementes certificadas, o que vai dar garantias ao produtor'', afirma. O processo de certificação deve demorar pelo menos cinco anos. ''Estou investindo no pedigree'', brincou.
Outro sistema usado por ele é a decepa, cortando pés mais antigos de erva-mate a 15 centímetros do solo. O que fica é coberto com terra e germina saudável novamente. Os ramos cortados são plantados. ''São poucas mudas que perdemos, porque são partes de pés que já eram dessa região, e por isso já estão acostumadas com o solo'', comenta.
Com o objetivo de colaborar com produtores de erva-mate, Jordão criou a Sociedade Brasileira do Mate em julho deste ano, que ainda está em fase de composição. (R.F.)

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