Paranaguá registra recorde histórico na operação de contêineres
Setor de carnes teve um peso muito significativo nesse desempenho, com crescimento de 7%
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sábado, 02 de agosto de 2025
Setor de carnes teve um peso muito significativo nesse desempenho, com crescimento de 7%
Lucas Catanho- Especial para a FOLHa 

O Porto de Paranaguá registrou recorde histórico na operação de contêineres no primeiro semestre deste ano: 803 mil TEUs, contra 780,4 mil no mesmo período de 2024, crescimento de 3%. TEU é a unidade de medida oficial utilizada internacionalmente para avaliar movimentação, equivalente a um contêiner de 20 pés.

O gerente comercial, de logística e de atendimento da TCP (empresa que administra o Terminal de Contêineres de Paranaguá), Giovanni Guidolim, destaca que esse resultado é fruto direto da ampliação da infraestrutura decorrente do crescimento da oferta de serviços marítimos e da movimentação crescente de cargas refrigeradas, especialmente carne bovina.
“Também é importante destacar a melhora nas condições operacionais do canal de acesso ao porto, com o aumento do calado, de 12,60 metros para 12,80 metros. Isso permite que os navios cheguem com mais carga. Além disso, o ramal ferroviário, que conecta diretamente o terminal a regiões estratégicas do interior do Paraná, também teve papel relevante nesse crescimento.”
O setor de carnes teve um peso muito significativo nesse desempenho. A movimentação de contêineres refrigerados atingiu 69.290 unidades no primeiro semestre deste ano, um crescimento de 7% em relação ao mesmo período de 2024.
A carne de frango segue como o carro-chefe, com 1,13 milhão de toneladas embarcadas entre janeiro e junho de 2025, o que representa uma participação de 43% nas exportações brasileiras desse segmento. Já a carne bovina registrou um salto expressivo de 48%, passando de 303 mil toneladas em 2024 para 449 mil toneladas em 2025. Esse avanço elevou a participação da TCP nas exportações de carne bovina de 23% para 31%.
EXPECTATIVA
Roberto Perosa, presidente da Abiec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes), relata que a expectativa inicial era que o Brasil exportasse 400 mil toneladas de carne para os Estados Unidos em 2025. No entanto, com a sobretaxa já determinada pelo governo americano, esse número deverá ficar bem abaixo do esperado – no ano passado, foram exportadas 220 mil toneladas de carne para o país da América do Norte.
“O volume iria praticamente dobrar”, pontua. Segundo ele, a sobretaxa pode impactar em quase 1 bilhão de dólares que deixaria de ser exportado para os Estados Unidos até o final do ano. “Um impacto grande para a cadeia que não tem uma reacomodação imediata”, destaca Perosa.
IMPACTO
O tarifaço imposto pelos Estados Unidos deve impactar as movimentações no Porto de Paranaguá, visto que a carne bovina está entre os itens que seriam mais impactados entre os produtores paranaenses, segundo o Sistema Faep. A entidade aponta, que além da carne bovina, o café, a piscicultura, a laranja e os produtos florestais são os itens que seriam mais impactados pelo tarifaço.
DESPROPORCIONAL
A Apre (Associação Paranaense de Empresas de Base Florestal) considera o tarifaço “inesperado e desproporcional”. “A taxação a esse patamar praticamente inviabiliza os nossos negócios e, como consequência, milhares de empregos e famílias estão ameaçados”, ressalta Fabio Brun, presidente da entidade. Somente o setor florestal emprega cerca de 400 mil pessoas no Paraná, abrangendo desde a base produtiva até as indústrias de transformação.Apenas em 2024, o Paraná vendeu mais de US$ 681 milhões em produtos florestais para os Estados Unidos, sendo US$ 627 milhões em madeira – o que representa cerca de 60% do total comercializado pelo Brasil.


