Santo Antônio da Platina - A Federação dos Olericultures e Fruticultores do Vale do Paranapanema (Fevale) inicia na próxima semana as operações de sua primeira unidade de distribuição de hortifruti do Vale do Paranapanema, em Ourinhos-SP. Trata-se de projeto inédito no Brasil que reúne 800 produtores dos Estados do Paraná e São Paulo por meio de oito associações. No Paraná participam 400 filiados das associações de Santo Antônio da Platina, Japira, Cambará e Carlópolis. No lado paulista a Fevale é formada pelas associações de Pirajú, Santa Cruz do Rio Pardo, Óleo e Ribeirão do Sul.

Os setores de olericultura e fruticultura movimentam no Vale do Paranapanema cerca de R$ 8 milhões/ano. O objetivo do projeto é buscar alternativas de mercado junto aos centros comerciais de Maringá e Londrina, no Paraná, e Assis, Jaú e Bauru em São Paulo. Na primeira etapa do projeto a unidade deve comercializar cerca de R$ 800 mil/dia.

O consultor de agronegócios do escritório regional do Sebrae-SP, em Ourinhos, e um dos coordenadores do projeto, Silvio César de Souza, destacou a importância do projeto para assegurar novos mercados para garantir a diversidade e o aprimoramento da qualidade. Atualmente, a produção de todas as associações é encaminhada para a Central de Entrepostos de Armazenamentos Gerais do Estado de São Paulo (Ceagesp), em São Paulo.

''Poderemos reduzir a dependência dos agricultores em relação à Ceagesp e negociar com o setor varejista'', promete o consultor de agronegócios do Sebrae.

Souza explicou que os técnicos da Emater e do Sebrae iniciaram levantamento da demanda nos centros consumidores da região. O projeto também prevê a análise da produção das associações para planejar o plantio. A unidade de Ourinhos será coordenada pelos agricultores com assistência do Sistema Agroindustrial Integrado (SAI) e será responsável pela centralização e logística das associações.

O projeto da Fevale compõe um Programa que fortalece as associações por meio da consultoria e capacitação. Um dos coordenadores do projeto, o agrônomo Walter Jark Filho, de Santo Antônio da Platina, disse que a integração foi estimulada pela necessidade de organização dos produtores para obter mercado.

Ele disse que a Fevale também vai promover o aumento da produção. Jark Filho destacou a dificuldade de integrar dois Estados. ''São duas culturas diferentes na organização e no manejo'', disse.

Uma pesquisa da Seab em 2000 indicou que, no Paraná, o consumo do setor hortifruti supera o setor lácteo e só perde para a pecuária. Jark também ressalta que é fundamental na primeira etapa do projeto a consolidação do setor produtivo. Segundo a pesquisa, 53,5% da produção de frutas é consumida in natura; na olericultura o consumo in natura é de 74,5%. A implantação de uma agroindústria para exportação será avaliada em outras etapas do projeto.

Gargalos - Segundo os agricultores, a Fevale vai permitir que os agricultores obtenham, além de estabilidade no abastecimento para o setor varejista, mecanismos que asseguram o volume, a diversificação e a qualidade na produção agrícola das associações.

Os técnicos alertam que estas questões provocavam um gargalo na produção e inviabilizavam a comercialização dos produtos para o setor varejista. A organização amplia o mercado para os agricultores e assegura ao agricultor a possibilidade de propor preços competitivos.

O presidente da Associação dos Olericultores e Fruticultores de Carlópolis, Ilésio Machado, acha que a criação da Fevale é uma alternativa para o escoamento da produção. No entanto, Machado alerta que é necessário intensificar o apoio dos órgãos técnicos.

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