Paraná vai demorar a ter algodão transgênico
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sexta-feira, 22 de abril de 2005
Jaime Kaster<br>Reportagem Local 
O plantio e a comercialização de sementes algodão transgênico estão liberados desde o dia 17 de março pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio). Trata-se do algodão Bollgard, da Monsanto, que também detém a tecnologia da soja RR. Por enquanto são os dois únicos produtos transgênicos liberados para plantio no Brasil. Esse algodão modificado é também chamado de Bt, referência à 'Bacillus thuringiensis', bactéria que vive no solo e produz uma toxina. Os cientistas isolaram certos genes que produzem essa toxina e os inseriram neste algodão, que mata insetos quando eles atacam a planta.
O algodão Bollgard já está sendo cultivado na Índia e em alguns países da África. Na Austrália, a liberação comercial se deu em setembro do ano passado e a expectativa do governo daquele país é que a utilização da variedade reduza em 75% o uso de inseticidas. No Brasil, a tecnologia ainda está restrita a lavouras do Cerrado, onde os produtores se anteciparam mesmo antes da liberação do governo. Em outubro passado, por exemplo, o Ministério da Agricultura autuou agricultores e suspendeu a comercialização de 70 mil sacas de sementes transgênicas no Mato Grosso, conforme relatório publicado no site do Conselho Brasileiro de Biotecnologia.
''Aqueles produtores foram pegos porque estavam com sementes clandestinas de algodão, que ainda não haviam passado por testes'', explica o presidente da Associação dos Cotonicultores Paranaenses (Acopar), Almir Montecelli. Segundo ele, essa tecnologia demorará a chegar aos produtores do Paraná, porque o tansgênico teve suas pesquisas paralisadas por três anos. ''Estamos completamente alheios a esse processo. Acho que só teremos aqui esse algodão resistente à lagarta na safra 2006/07'', prevê.
O especialista em algodão do Iapar, Walter Jorge dos Santos, confirma que a pesquisa e a validação do algodão Bt ficaram paradas por três anos no Paraná, devido a impedimentos legais. ''Os testes não tiveram sequência e serão retomados só agora após a aprovação da CTNBio'', diz o pesquisador.
Além do Iapar, a Coodetec também tem trabalhos com algodão transgênico, mas apenas de variedades RR - resistentes a herbicida.


