Paraná usa pouco os aquíferos
Paraná usa pouco os aquíferos
Apesar do Aquífero Botucatu ocupar mais da metade da área do Paraná, os paranaenses são pouco beneficiados pela qualidade e custo dessa água disponível. A política de exploração da Sanepar sempre esteve voltada mais para a captação e tratamento de águas superficiais.
Atualmente estão em funcionamento no Estado 750 poços que acessam os diversos aquíferos, dependendo da região onde estão localizados, segundo informações do geólogo da Sanepar, João Horácio Pereira. Este número de poços vem aumentando nos últimos anos, e o setor de hidrologia vem sendo frequentemente solicitado para estudos, porque hoje há uma tendência de crescer a exploração das águas subterrâneas no Estado, explica João Horácio. Segundo o geólogo, a situação está mudando por causa da baixa qualidade das águas dos mananciais.
Uma nova lei de uso da água no Paraná está sendo discutida e deve ser votada em breve. Desenvolvida nos moldes da lei federal, institui Comitês de Bacias e Agências de Águas. Formadas por usuários, as agências serão responsáveis por fazer a cobrança e por elaborar e executar projetos de recuperação dos rios. Os Comitês, compostos pelos governos estadual e municipais e por Organizações Não Governamentais (ONGs), vão atuar na fiscalização e aprovação do destino dos recursos. A atuação desses órgãos será centralizada em bacias hidrográficas.
Inicialmente, os esforços serão concentrados em quatro bacias, que estão em situações mais críticas: Alto Iguaçu, Tibagi, Litorânea e Pirapó. Posteriormente serão criados novos Comitês e Agências que atendam às outras 12 bacias paranaenses.
Na discussão sobre o uso, uma das preocupações é com o comprometimento das reservas de água. Dados da Embrapa, contidos no Atlas do Meio Ambiente do Brasil, mostram que a agricultura é responsável por lançar anualmente 1 bilhão de toneladas de solo fértil nos rios. A poluição causada por agrotóxico e fertilizantes também é grande. Em 1991, o Brasil utilizava cerca de 3 milhões de toneladas de agrotóxicos nas lavouras. Desse volume, 99% contaminava o solo e a água. Dos quase dois milhões de toneladas de fertilizantes, 50% era levado pela chuva para os rios e lençóis freáticos. E é também a agricultura que mais utiliza água. Enquanto a indústria e o abastecimento consomem 470 m3 de água por segundo, na irrigação esse volume fica em 683 m3/s.(C.C.)





