Técnicos chineses visitam a criação de peixes de água doce da Faculdade de Agronomia Luiz Meneghel, em BandeirantesA riqueza de recursos naturais do Paraná pode torná-lo um Estado modelo em piscicultura de água doce. A avaliação foi feita pelos técnicos chineses Yang Guo Liang e Zeng Guo Zing, que durante esta semana ministraram cursos técnicos sobre produção de tilápia e camarão de água doce. A visita dos técnicos faz parte de um convênio do governo do Estado e China. Além de Cornélio eles estiveram em Curitiba, Toledo e Pato Branco, Bandeirantes, Andirá e Siqueira Campos.
A China é responsável pela metade da produção mundial de peixes. O cultivo é milenar e os chineses usam todos os recursos naturais, inclusive dejetos para o cultivo. Falta de espaço também não é motivo de queda de produção na China. O policultivo (criação de várias espécies em um mesmo tanque) garante abastecimento para um consumo de quase 30 quilos de peixe/ano por habitante.
Organização‘‘Se todo este potencial natural existente aqui fosse aproveitado como na China, a pesca se tornaria a base econômica do Estado’’, comentou Liang. Segundo ele, o Brasil precisa investir mais na produção de alevinos, melhorar o mercado consumidor e aderir ao policultivo. Os tanques brasileiros são classificados como monocultivistas (uma só espécie em cada tanque).
Segundo o chefe do Departamento de Produção de Peixes do Estado, Massaro Sugai, os maiores investimentos que o Estado precisa para se desenvolver na piscicultura são: aumentar o número de técnicos para atendimentos aos proprietários; redução de custos de produção - ‘‘o peixe no Brasil é caro e não compete com as carnes bovinas ou suínas’’; aumentar os canais de comercialização. ‘‘Hoje temos o pesque-e-pague como maior fonte de comércio. Cerca de 80% da produção’’, acrescentou Sugai.
Ele também disse que o Estado precisa de uma organização da cadeia produtiva (piscicultores, atacado, varejo, fornecedores de insumos, consumidores). ‘‘Esta organização tem que partir das partes interessadas. Aí sim, o Estado pode intervir com recursos e até incentivar o consumo interno’’. O Paraná tem 21.900 piscicultores, 38 mil tanques, 6,6 mil hectares de área alagada e uma produtividade de 1,12 tonelada hectare/ano.
Somente a província Zhejiang (44 mil habitantes), de onde vieram os técnicos, tem uma área de cultivo de 230 mil hectares e uma produção total de 430 mil toneladas. Os chineses têm 146 espécies de água doce. ‘‘Isso se deve ao cultivo milenar na China. Nós ainda estamos iniciando na cultura’’, acrescentou Sugai.
Na região de Cornélio Procópio são cultivadas as espécies bagre, tilápia, redondos, carpas e piauçu. A produção da região é de 2,1 mil toneladas/ano, com 425 produtores e 314,7 hectares de área alagada.

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