Paraná teve segundo maio mais seco dos últimos 35 anos
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sexta-feira, 03 de junho de 2011
Mariana Fabre <br> Reportagem Local 
A média prevista de chuvas para a região de Londrina durante o mês de maio era de 114,5 milímetros. No entanto, segundo dados do Sistema Meteorológico do Paraná (Simepar), ao longo do mês passado as chuvas registradas foram de apenas 7,6 milímetros. De acordo com a meteorologista do instituto, Angela Beatriz da Costa, esse foi o segundo mês de maio menos chuvoso da série histórica, que teve início em 1976. O índice foi superior apenas ao de maio de 1981, quando o registro foi de 1,7 milímetros.
Segundo o Simepar, as grandes regiões do Estado também ficaram com índices abaixo da média esperada para o período. A meteorologista esclarece que normalmente no inverno ocorre uma redução do volume de chuvas, no entanto, este ano o resquício do fenômeno climático La NiÀa deixou o índice de precipitações abaixo da média no Sul do País.
Dados da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná (Seab), com base em levantamento realizado entre os dias 16 e 20 de maio, apontam uma quebra de 1,5% na produtividade do milho safrinha no Estado. De acordo com a engenheira agrônoma do Departamento de Economia Rural (Deral) da Seab, Margorete Demarchi, o milho está sendo bastante prejudicado pela estiagem, que paralisa o crescimento da planta. ''No próximo levantamento, poderemos ter uma previsão mais precisa sobre os danos'', esclarece.
''O Paraná precisa da segunda safra de milho, até mesmo para manter a renda nas propriedades. Além disso, o Brasil depende dessa produção para atender a demanda nacional e abastecer a exportação do produto'', ressalta. O Estado deve produzir 7,42 milhões de toneladas do grão, ocupando uma área de 1,7 milhão de hectares. Segundo Margorete, no próximo levantamento de estimativa de safra da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o Paraná deve voltar a ocupar posição de maior produtor de milho safrinha, ultrapassando o Mato Grosso. Segundo da Aprosoja, a falta de chuvas pode causar redução de 20% a 40% na safra de milho safrinha do Mato Grosso.
De acordo com o coordenador do Projeto Grãos do Paraná, do Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), Nelson Harger, a estiagem afetou o milho safrinha em duas fases importantes para a cultura, a floração e o enchimento de grãos. ''Com certeza as lavouras tiveram problemas no processo de polinização, o que pode refletir em perdas de produtividade'', argumenta.
Harger revela que há possibilidade de chuva para o Norte do Paraná no próximo dia 8, mas ainda não há estimativa se o volume será suficiente. ''Desde fevereiro, já estava previsto que esta seria uma safra de risco maior'', relembra. ''Pelas condições da safra de milho safrinha, estimamos uma quebra de produtividade de, no mínimo, 10%, especialmente no Norte do Estado'', avalia Harger. Mas ele alerta que, se houver geada na região até o próximo dia 15, as perdas podem ser maiores.
Trigo
Já para os produtores que optaram pelo trigo, Harger afirma que as lavouras plantadas no começo de abril possuem expectativas boas, ''mas ainda precisam de mais uma chuva''. Nestes casos, a seca atingiu as lavouras em fase de espigamento. No entanto, o trigo plantado no final de abril - situação mais comum entre os produtores do Norte do Estado - não se desenvolveu bem. ''Essas lavouras podem ter comprometimento de produtividade, pois a estiagem atingiu a fase vegetativa da planta'', explica.


