Enquanto a maioria dos pecuaristas questiona se deve bancar os custos da rastreabilidade, uma nova proposta está surgindo no Paraná com objetivo de ''auxiliar especialmente o pequeno e médio criadores.'' O projeto já foi elogiado até pelo Ministro da Agricultura Pratini de Moraes. O que ainda não foi dito é que o custo será do pecuarista que, mais tarde, na hora de entregar o boi na indústria, deverá negociar um preço diferencial se quiser recuperar o investimento com a rastreabilidade.
O projeto de identificação individual de animais é da Secretaria de Agricultura do Paraná e será encaminhado nos próximos dias ao Ministério da Agricultura, Abastecimento e Pecuária (MAPA).
O objetivo é colocar em prática um serviço de identificação individual do rebanho bovino e bubalino, e o enquadramento do Estado como um ''certificador'' do rebanho paranaense.
O projeto já foi apresentado informalmente ao Ministro Pratini de Moraes, no início de setembro em Brasília, pelo secretário de Agricultura do Paraná, Deni Schwartz. Segundo informações da Seab, Pratini elogiou a iniciativa. O Paraná está enquadrado numa região que deverá ter todo o sistema de identificação e rastreamento do rebanho até dezembro de 2005.
O projeto está sendo enquadrado nas normas do Sistema de Identificação e Certificação de Origem Bovina e Bubalina (Sisbov). No início de novembro deverá ser implantando numa área piloto, ainda a ser definida, com a brincagem dos animais. O trabalho será paralelo ao recadastramento de todas as informações sobre as propriedades, que acontece no período de vacinação contra aftosa, de 1º a 20 de novembro.
Com o recadastramento, a Seab espera reunir o maior número de informações, renovar seu banco de dados e incluir o necessário para enquadrar o rebanho dentro das normas do Sisbov.
Segundo o chefe da defesa sanitária animal da Seab, Felisberto Queiroz Baptista, o Paraná tem 212 mil propriedades e um rebanho de 10 milhões de cabeças (bovinos e bubalinos). ''Como vai ser difícil cumprir a meta do Ministério até 2005, a Seab decidiu implantar o projeto para auxiliar os pequenos e médios produtores que são um público que não se enquadra no perfil de usuários das atuais credenciadoras,'' avalia Baptista.
A avaliação de conformidade sanitária assegura que os animais estão dentro dos padrões sanitários exigidos e dá outras informações. O segundo passo será a identificação dos animais, com o uso de brincos. O recadastramento é obrigatório em todo o Paraná.
Baptista disse que os custos para as atividades ligadas à sanidade do rebanho serão do Governo, mas que o pecuarista terá que pagar pelo serviço de identificação. A Secretaria não sabe quanto o pecuarista terá que pagar.
O projeto cria um processo de rastreabilidade básica que deverá ser ampliado na gestão das propriedades do Estado que trabalham não só com bovinos, mas também bubalinos, ovinos, caprinos e suínos. ''Esse sistema vai complementar, sem qualquer prejuízo, as ações das empresas certificadoras'', esclareceu Baptista.
Para implementar o sistema público de rastreabilidade, a Secretaria usará as 120 unidades veterinárias instaladas por todo o Paraná; se possível vai ampliar para 180 unidades. Elas cadastrarão as pequenas propriedades e enviarão as informações para um banco de dados. O governo paranaense pretende implementar o sistema em todo o Estado até 2005.

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