AssociativismoO professor Assis propõe uma associação, para estimular a produção de leite de cabrasO professor Francisco de Assis Fonseca de Macedo, especialista em caprinos e ovinos do curso de Zootecnia da Universidade Estadual de Maringá (UEM), quer montar uma sala de processamento de leite de cabra na região. Ele diz que o ideal seria criar uma associação para unir os produtores e incentivar a criação. A entidade, explica, iria trabalhar no comércio dos derivados da cabra e de ovinos, que tem mercado restrito. ‘‘Hoje não existe incentivo, porque a criação e a produção são isoladas, servindo apenas os consumidores habituais’’, afirma. A entidade iria aprimorar o plantel e ampliar a produção, explica.
O maior obstáculo para consolidar uma associação, segundo o professor Assis, é que os quatro produtores da região não têm tempo para assumir a entidade. ‘‘Eu estou fazendo doutorado e sem tempo até para produzir o queijo do leite de cabra’’, afirma. Os outros dois produtores têm interesse, mas também falta tempo e a UEM, que também produz leite de cabra, dependeria do professor para dirigir uma associação. A entidade, acredita Assis, poderia ampliar o mercado e até incentivar a implantação de novas criações.
MelhoramentoO projeto pessoal de Assis é melhorar o rebanho de 30 cabeças e ainda introduzir 30 ovinos para a produção de leite. No Brasil existe apenas um produtor de leite de ovino, que é rico em gordura e consumido na forma de queijos. Segundo Assis a falta de produção obriga a importação do produto, principalmente da Europa, onde o queijo de ovinos tem um mercado bom. Mas o interesse imediato dele é a melhoria do plantel de cabras.
Uma cabra bem alimentada produz cinco quilos de leite durante até oito meses
Em dois anos o professor Assis acredita que estará com um plantel puro, com os 30 animais da raça saanen, especializada em leite. Ele está na quarta geração, mantém os animais que nascem na propriedade e já tem três puros de cruza. O objetivo é ter todos os animais puros, que são criados confinados. Hoje com o plantel cruzado, o sistema de criação é semiconfinado, associando o pasto com a banca de proteínas, que vem de vegetais cultivados na propriedade de quatro alqueires, no município de Mandaguari (Norte do Paraná).
No total a criação ocupa dois hectares divididos em quatro piquetes, com capins tifton e coast cross. Mas os caprinos, explica Assis, preferem as folhagens ao capim. Por isso é importante ter uma área de confinamento, onde os animais ficam protegidos e recebem a alimentação complementar ou principal. Cada animal precisa em média de dois metros quadrados de área protegida e oito metros quadrados de espaço no solário, para fazer exercícios. ‘‘As cabras gostam de movimento, e na criação de animais puros é preciso espaço para elas se movimentarem’’, informa Assis.
As instalações são simples, com paredes fechadas e chão ripado, para evitar o contato do animal com as fezes e a urina. A diferença de um abrigo de ovinos é a parte inferior e a área reservada como solário. Abaixo do nível do piso, as paredes devem ser fechadas, ao contrário do abrigo de ovinos, em que é permitida a ventilação. O professor Assis explica que as cabras têm menos pelagem que os ovinos, e com o chão ripado é preciso garantir a proteção no período de frio, fechando as laterais do abrigo, que deve ter apenas uma entrada para a limpeza do local, mesmo assim com porta.
LimpezaNa área aberta, ou solário, deve existir ainda um comedouro, que pode ser feito com telas sobre os piquetes. O professor Assis serve folhas de amoreira e feijão guandu, além de ração, garantindo a proteína necessária aos animais. ‘‘Mas as cabras comem de tudo, desde que o alimento esteja limpo’’, observa. Um criador de Maringá serve verduras e legumes recolhidos da Ceasa, como cenoura, tomate e alface, desde que tudo seja limpo.
Segundo o professor Assis, os caprinos são exigentes na higiene, o que é uma vantagem para o criador. Ele conta que se a pessoa der uma mordida em uma cenoura e colocar no cocho, a cabra não come. O mesmo ocorre com alimentos deixados em local onde os animais defecam ou urinam. Como os caprinos comem de cabeça para cima, ao contrário dos ovinos, são menos expostos a verminose. Quando o rebanho é confinado, calcula o professor Assis, as cabras podem ficar de sete a oito meses sem receber vermífugos, o que pode cobrir todo período de lactação.
Outra vantagem dos caprinos é a tendência natural dos animais em selecionar a alimentação disponível. O professor Assis explica que mesmo no sistema de pastagem, as cabras podem ser colocadas em áreas infestadas por espécies vegetais venenosas. ‘‘Os animais sabem o que faz bem e o que pode matar, e evitam comer folhagens estranhas ao organismo’’, garante.
A conversão alimentar da cabra também pode ser boa com uma alimentação adequada. O professor Assis calcula que uma cabra de 50 quilos come em média 12 quilos de alimentos por dia, sendo 800 gramas de ração, e pode render cinco quilos de leite/dia. ‘‘O alimento bem equilibrado vai garantir ainda uma produção constante entre seis e oito meses’’, afirma.

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