Paraná tem maior área de soja orgânica
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sexta-feira, 21 de março de 2003
Vânia Casado<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O Paraná vem se destacando como o maior produtor de soja orgânica do Brasil. A cultura está em expansão e mais de 800 produtores aderiram à essa técnica. Na safra 2001-2002 foram produzidas 16.282 toneladas. Entre os produtos orgânicos cultivados no Estado, a produção de soja orgânica é o setor que mais cresce e já está presente numa área de 7.601 hectares. A previsão para a atual safra é que a produção de soja orgânica atinja 20 mil toneladas.
O aumento do volume produzido vem evidenciando a entrada de grandes produtores que aderem ao plantio da soja orgânica, justificou o coordenador estadual de Agricultura orgânica da Emater-Paraná, Iniberto Hamerschimidt. Enquanto a soja convencional vem sendo negociada por cerca de US$ 16 a saca, a produção orgânica pode ser negociada por até US$ 24 a saca.
O preço é o principal atrativo para a migração dos produtores. Atualmente o prêmio pago pelo produto varia de 30% a 40% a mais que o preço pago ao produto convencional, disse Rudolf Kretsch, diretor de exportação da Brasil Organics, divisão da empresa Gama Comercial Exportadora e Importadora. Mas ele reclama de maior consistência no trabalho por parte dos produtores. Para o empresário, o mercado externo compra o produto orgânico, mas não tolera interrupção na entrega e também na qualidade do produto.
Atualmente cerca de 98% da soja orgânica produzida no Estado são exportados para os mercados europeus e para o Japão. A produção está consolidada na região Sudoeste, mas vem ganhando adeptos nas regiões Centro-Sul e dos Campos Gerais. Os municípios de Cascavel, Pato Branco, Francisco Beltrão e Ponta Grossa são os que mais se destacam no plantio da soja orgânica, informou o técnico da Emater.
Embora enfrente dificuldades de queda na produção, o produtor que opta pela produção orgânica vem preferindo a soja em função da liquidez já no primeiro ano de conversão do solo. Esse período, que vai de um a três anos, são os mais difíceis. O produtor enfrenta uma intensificação do ataque de pragas e doenças e a renda cai nesse período.
Por outro lado, já é possível obter um aumento no prêmio pago ao produtor de soja já no primeiro ano de conversão. Nos dois primeiros anos de conversão, quando o produtor elimina a aplicação de agrotóxicos no solo, a remuneração pela produção já é 25% acima do preço pago à soja convencional. Só a partir do terceiro ano, quando o solo eliminou os resíduos de agroquímicos será possível receber entre 40% a 50% do preço da soja convencional, explicou Hamerschimidt.
Nesse período, os produtores recorrem aos princípios básicos da agricultura orgânica como coquetel de adubos verdes, calcário, fosfato natural, cinzas e macerados, que são preparados naturais para o controle de pragas e combate às doenças. Com isso, em vez de colecionar faturas para pagar, correspondentes à compra de agrotóxicos, muitos produtores preferem colecionar receitas de macerados e preparados naturais para aplicar nas suas lavouras.
Como primeira providência, o produtor cuida da análise do terreno. De posse do laudo será possível estabelecer a quantidade de calcário e de fosfato natural (cinzas), elementos permitidos pelas certificadoras para correção e equilíbrio do solo. De acordo com Hamerschimidt, o plantio de soja orgânica na Região Metropolitana de Curitiba leva uma vantagem em relação às demais, em função da disponibilidade de fosfato natural, com a queima de bracatinga. Utilizada como lenha em fornos industriais e comerciais, essa prática fornece as cinzas que são aplicadas nas lavouras de soja, como fontes de potássio.
Nas demais regiões, onde a disponibilidade de potássio natural é mais escassa, os produtores podem recorrer a aplicações de sulfato de potássio (produto químico), desde que permitido pelas certificadoras, ressaltou o técnico da Emater. Geralmente, elas permitem o uso de sulfato de potássio em conjunto com o calcário e com a colocação de matéria orgânica, obtida através de compostagens.


