Paraná tem histórias de sucesso
Uma das primeiras cooperativas a investir no sistema de agroindustrialização no Paraná, segundo Nelson Costa, superintendente adjunto da Ocepar, foi a Copacol, localizada em Cafelândia (Oeste). A organização foi uma das pioneiras a trabalhar com processamento de aves. Nessa mesma época, a Frimesa, de Marechal Cândido Randon (Oeste), iniciou os trabalhos no processamento de suínos e a Cocamar, de Maringá (Norte), no setor de grãos para a produção de ração animal.
No início dos anos 1980, as cooperativas de leite começaram a industrializar a sua produção, principalmente na região dos Campos Gerais. "Naquele início de década, o atendimento das cooperativas de leite era muito restrito", observa. Costa lembra que naquele período houve uma alta produção de matéria-prima. Sem ter como armazená-la, surgiu a ideia de transformar o leite excedente em pó.
No segmento de carnes, Costa lembra que as cooperativas paranaenses começaram a trabalhar nesse setor porque os produtores precisaram agregar valor à produção de grãos que não estava indo muito bem nos anos 1980. A partir desse período, salienta Costa, as instituições começaram a aperfeiçoar os produtos, adequando-os às necessidades e exigências do varejo. "O consumidor começou a ditar as regras", salienta o especialista da Ocepar.
Com o apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e do Banco do Brasil, as cooperativas conseguiram grande aporte financeiro. Desde o início do processo de agroindustrialização no Paraná, o especialista da Ocepar recorda que ocorreram altos e baixos na economia brasileira, o que influenciou diretamente nos investimentos das instituições cooperativistas. Um período marcante, relembra Costa, foi de 1987 a 1994, quando a agroindustrialização das organizações no Estado entrou em um ritmo mais lento devido ao baixo crescimento econômico nacional.
Ele recorda que naquela época em um financiamento de R$ 100, por exemplo, a cooperativa chegava a pagar sobre esse montante em torno de R$ 2 mil devido às oscilações dos índices de inflação. "Com a chegada do Plano Real, a economia se estabilizou, os juros foram fixados e os financiamentos regulados", lembra. A crise financeira passou e, a partir daí, os investimentos começaram a acontecer nas cooperativas de todos os segmentos.
Hoje
Continuar nesse ritmo acelerado de crescimento não é uma tarefa fácil. Segundo o superintendente da Ocepar, o atual desafio das cooperativas paranaenses não é o acesso aos recursos para investimento nas linhas de produção, mas sim nos sistemas de logística e infraestrutura, que envolvem desde a captação da matéria-prima até a distribuição do produto. "As cooperativas podem produzir com eficiência e qualidade, mas logo sofrem com estradas, portos e ferrovias ruins que não atendem às suas necessidades", lamenta.
Para resolver o problema dos portos, Costa destaca que algumas cooperativas, como a Coamo, de Campo Mourão (Centro-Oeste), possuem o seu próprio terminal no porto de Paranaguá, o que ajuda a agilizar o escoamento da produção. Porém, em sua opinião, é uma exceção, já que essa medida não resolve a problemática da logística e da infraestrutura brasileira. (R.M.)





