Imagem ilustrativa da imagem Paraná tem 122 associações de agricultores em programas
| Foto: Anderson Coelho
Alguns municípios chegam a 70% de consumo da agricultura regional, o que melhora a alimentação da comunidade e a vida das famílias do campo



O Paraná tem 122 associações e cooperativas de produtores familiares que fornecem produtos para o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae), o que facilita a organização e a assistência técnica dos agricultores, conforme o Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater). Outra vantagem são as 26 feiras de produtores no Estado, que garantem pontos de comercialização de excedentes. Apesar de contar com boa estrutura, o Paraná nem sempre consegue, por exemplo, atingir o mínimo de 30% de produtos de origem em propriedades familiares do Pnae, por exemplo.
A coordenadora estadual de Mercados para Agricultura Familiar do Emater, a engenheira agrônoma Mary Stella Bischof, afirma que o consumo de alimentos com origem local fortalece a economia de cada município, mas ainda há um excedente de produtos que poderia avançar mais ainda se a ligação com os compradores fosse eficiente. "Curitiba não consegue comprar os 30% para escolas municipais porque usa uma logística diferente, por cozinhas industriais, diferentemente das estaduais que contam com merendeiras", diz.
A solução, explica, seria que as indústrias contratadas comprassem produtos da agricultura familiar, o que nem sempre ocorre. Na média, as escolas municipais paranaenses compram 26% da agricultura familiar. "As estaduais conseguem cumprir os 30% e até passar disso, mas o valor que vem do governo federal ainda é baixo. Estados e municípios costumam complementar os recursos", diz a coordenadora do Emater.
Por outro lado, Mary Stella lembra que alguns municípios chegam a 70% de consumo da agricultura regional, o que melhora e muito a alimentação da comunidade e a condição das famílias do campo. "A prefeitura de Fazenda Rio Grande, além do que ocorre pelo Pnae, compra produtos da agricultura local e troca por reciclados. São atitudes simples, feitas por arranjos de chamada pública", conta.
Conforme o site do Fazenda Rio Grande, o Troca Verde substitui três quilos de reciclados por um quilo de hortifrútis, o que também gera renda para a associação de catadores local. Foram 43 toneladas de produtos direcionados à reciclagem em 2014, o que representa pouco mais de 14 toneladas de alimentos comprados da agricultura local. "É ano de eleição e os candidatos ou gestores públicos têm de se sensibilizar para fortalecer seu município e seus agricultores", afirma Mary Stella.
No geral, entretanto, é a venda de cestas em feiras de produtores ou a iniciativa de agregar valor aos alimentos, como transformar frutas em geleia, que completa a renda das famílias. "Se houver organização do mercado, há o aprendizado do produtor", comenta.

CARDÁPIO AMPLO
A dieta de uma pessoa que vivia há cem anos consistia em cerca de 400 alimentos, número que caiu para perto de cem hoje, de acordo com o professor Estevan Coca, da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Isso porque a agricultura de larga escala, típica das grandes corporações, padroniza os produtos vendidos em todo o mundo, independentemente das especificidades de cada região.
Mary Stella afirma que a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO, na sigla em inglês) considera que 70% dos alimentos consumidos no mundo vêm da agricultura familiar. "Existem agricultores familiares que plantam soja também e acredito que, de acordo com a renda, deve ser de cerca de 50%", completa.
Além de defender uma melhor organização e logística para os produtos da agricultura familiar chegarem aos mercados, ela conta que falta soberania sobre alguns tipos de sementes, como as de hortaliças. "Ainda depende muito das multinacionais, porque o mercado busca uma produção imediata. Mas o importante é vislumbrar parcerias de instituições públicas e independentes para viabilizar a alimentação de qualidade", encerra a coordenadora do Emater.

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