No Paraná as escalas de abate são curtas e o preço da arroba permanece entre R$ 2 e R$ 3 abaixo de praças como São Paulo e Mato Grosso do Sul, que são balizadoras do mercado.
Essas praças têm comercializado a R$ 60 e R$ 61. Na quinta-feira, no entanto, no fechamento de mercado, havia sinais de que o valor da arroba poderia reagir e acompanhar São Paulo. No Paraná a cotação era de R$ 58 e o argumento das indústrias seria de segurar ainda mais o preço.
Para Fabiano Rosa, consultor de mercado, o Paraná vive uma situação complicada. O mercado monopolizado, com apenas um frigrofíco operando e um comprador segurando sua demanda, o que dificulta maior reação no boi gordo comercializado no Estado.
Mesmo assim, ele acredita que se o boi reagir em outros praças a tendência é reduzir a diferença entre as cotações, até porque indústrias de São Paulo podem ser potenciais compradoras de outros Estados.
Com relação ao boi gordo em todo o País, a tendência, para os próximos dias, é de preços no mínimo estáveis. É possível que venham a ocorrer alguns reajustes. Tudo depende do produtor manter a estratégia de venda compassada.
Por conta do feriado prolongado, segundo Rosa, o mercado do boi gordo andou de lado na maioria das praças pesquisadas ao longo da última semana. Houve uma significativa retração na oferta de animais terminados, suficiente para sustentar as cotações.
Com o feriado, analisa, as compras passaram a correr com maior dificuldade, e as programações de abate de alguns frigoríficos foram curtas. Assim, na quarta-feira, dia 13, pós feriado, os negócios começaram a ''pipocar'' acima do preço referência em algumas praças: R$ 55/@, a prazo, livre de funrural em Belo Horizonte (MG); R$ 60/@, a prazo, para descontar o imposto em Três Lagoas (MS) e R$61/@, a prazo, para descontar o funrural em São Paulo.
O destaque, segundo Rosa, foi para as cotações da vaca gorda. Os frigoríficos de mercado interno têm a preferência por fêmeas, cuja oferta está bem ajustada. Em São Paulo, por exemplo, foram registrados negócios a R$ 54/@, a prazo, livre de funrural para a vaca gorda bem acabada.
No mercado de reposição a situação também não é boa. No Paraná e Mato Grosso do Sul o valor do bezerro caiu bastante. Reflexo da seca prolongada, avanço da agricultura e o desânimo do produtor em relação ao mercado do boi.
Ano ''comprador''- Pensando na lucratividade do ciclo compelto este foi o ano do comprador, avalia Rosa. O invernista, segundo ele, que teve calma e se planejou conseguiu trabalhar com uma relação de troca na conta de três bezerros por um boi gordo. Bezerro nelore, desmamado, de 8 a 10 meses.
Para o produtor que faz a recria e engorda, no entanto, o valor do animal significa de 55% a 60% do custo de produção e, por isso, o preço baixo do bezerro foi benéfico. Agora a perspectiva é trabalhar com custos menores. O pecuarista não espera explosão de preços e sim que o dinheiro volte a circular no meio.
No Paraná, segundo Rosa, tem ainda muita oferta de bezerros, decorrente da retenção de matrizes em 2002 e dos nascimentos a seguir. O reflexo foi a grande oferta da categoria e a queda nos preços. Em janeiro um bezerro desmamado, de 8 a 10 meses, valia R$ 384,50 e hoje o preço médio é de R$ 341, com negócios até abaixo disso, numa relação de troca de 2,8 por 1.
Desde a grande oferta de bezerros de 2002 o preço da categoria vem bambeando, avalia o consultor. Agora, com o descarte de matrizes - fato que só terá reflexos em 2005 -, espera-se que a oferta fique reduzida e que a categoria possa recuperar seus preços em 2006.

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