Paraná registra exportação recorde de suínos em 2025
236 mil toneladas da proteína remetidas ao exterior geraram quase US$ 600 milhões em receitas
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 29 de janeiro de 2026
236 mil toneladas da proteína remetidas ao exterior geraram quase US$ 600 milhões em receitas
Lucas Catanho - Especial para a FOLHA 

O Paraná registrou exportação recorde de carne suína em 2025. Ao todo, foram remetidas para o exterior 236 mil toneladas da proteína, que geraram US$ 597 milhões em receitas.
Dados são da plataforma gerenciada pelo MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços).
Em comparação a 2024, que detinha o recorde anterior, houve um crescimento de 28,5% no volume exportado pelo Paraná (52,4 mil t) e de 40,9% na receita (US$ 173,3 milhões).
Trata-se do maior avanço anual já observado desde o início da série histórica, em 1997, tanto em volume quanto em valor exportado. Com esse desempenho, o Paraná ampliou sua participação nas exportações brasileiras de carne suína de 14% para 16%.
A analista do Deral (Departamento de Economia Rural), médica-veterinária Priscila Cavalheiro Marcenovicz, explica que o desempenho em 2025 foi impulsionado, principalmente, pelo aumento das exportações de carne suína para importantes parceiros comerciais do Paraná e pela abertura de novos mercados.
“As Filipinas, que começaram a comprar grandes volumes de carne suína do Paraná há um ano e meio (julho de 2024), foram o principal destino da carne suína paranaense, com a importação de 41,5 mil toneladas, volume que representou crescimento de 306,1% em relação a 2024”, pontuou.
Outros parceiros comerciais aumentaram as aquisições, como Hong Kong (40,5 mil t; +13,8%), Uruguai (33,2 mil t; +9,9%), Argentina (27,1 mil t; +111,3%), Vietnã (26,5 mil t; +11,2%), Costa do Marfim (6 mil t; +75%), Emirados Árabes Unidos (3,4 mil t; +72,7%) e Libéria (3 mil t; +43,7%).
Pela legislação brasileira, apenas frigoríficos fiscalizados pelo SIF (Serviço de Inspeção Federal), do Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária), são autorizados a exportar.
Empresas menores, fiscalizadas pelos estados (SIE – Serviço de Inspeção Estadual) ou pelos municípios (SIM – Serviço de Inspeção Municipal), podem comercializar apenas no mercado interno. “Geralmente os produtores de suínos independentes comercializam a produção com pequenos frigoríficos, para abastecimento interno”, destaca a analista.
RANKING
O Paraná é o segundo maior produtor de carne suína do Brasil, mas é o terceiro em exportação. Em 2024, o Paraná exportou apenas 16% do que produziu e o foi o maior fornecedor de carne suína para o mercado interno. Os dados de 2025 ainda estão sendo consolidados.
“O Estado tem produção, qualidade e sanidade, mas está apenas começando a colher os frutos da obtenção do status internacional de livre de febre aftosa sem vacinação.”
Em novembro de 2025, o Chile adquiriu, pela primeira vez, grandes volumes de carne suína paranaense, quatro meses após reconhecer oficialmente o status do Paraná.
“Há expectativa de que outros países, que adquirem grandes volumes de carne suína de Santa Catarina por conta do status sanitário, também reconheçam a certificação do Paraná, como Japão, Estados Unidos, México e Coreia do Sul”, destaca.
Em 2024, o Paraná produziu 1,14 milhão de toneladas de carne suína, volume que correspondeu a 21,4% da produção nacional.
Santa Catarina liderou o ranking, com 1,57 milhão de toneladas, equivalente a 29,5% do total nacional, enquanto o Rio Grande do Sul ocupou a terceira colocação, com produção de 924,52 mil toneladas, representando 17,3% do total. O IBGE vai divulgar os dados da produção de 2025 em março de 2026.
CRESCIMENTO
Com sede em Medianeira, na região oeste do Paraná, a Frimesa registrou um crescimento de 19,4% nas exportações de carne suína em 2025, na comparação com o ano anterior.
O volume saltou de 102 mil toneladas em 2024 para 122,2 mil toneladas no ano passado, impactando em um aumento de faturamento de R$ 1,3 bilhão para R$ 1,8 bilhão.
Elias José Zydek, presidente executivo da Frimesa, analisa que o crescimento é reflexo da prospecção de novos mercados e da alta competitividade da proteína no cenário internacional.
“Hoje, temos aproximadamente 8% de participação nas exportações brasileiras de carne suína e 52% de share no Paraná. Observamos uma tendência de crescimento gradativo na abertura de mercados e crescimento nas atuais exportações. O fator preocupante para 2026 será a queda do dólar – se o câmbio ficar abaixo de R$ 5,30 gera prejuízos”, afirmou.
Os principais destinos da carne suína exportada pela cooperativa são Hong Kong, Singapura, Vietnã e Uruguai. Praticamente toda exportação da Frimesa é via Porto de Paranaguá.
O presidente da Frimesa cita alguns desafios ao exportar carne suína. “O câmbio baixo, as barreiras sanitárias, os conflitos internacionais e o custo de produção, que não poderá subir. Todos os produtos são congelados e têm prazo de validade longo, não tendo problema com vencimento.”
Em termos de volume de processamento, em 2025 a Frimesa industrializou mais de 3,62 milhões de cabeças de suínos, com plantas para operar uma capacidade de 15 mil suínos/dia.
“Já está em andamento mais um projeto de longo prazo que prevê um crescimento gradativo. Assim sairemos dos atuais 15 mil suínos por dia, para chegar em 2032 com 23 mil animais processados diariamente”, conclui.
Santa Catarina permaneceu na liderança das exportações de carne suína, com participação de 50,9% (748,8 mil toneladas), seguido pelo Rio Grande do Sul, com 23,2% (341,1 mil toneladas).


