Fotos: Milton DóriaPerdasMauro Wosniacki: ‘‘No rígido processo de formação das mudas, aproximadamente 30% das sementes são perdidas’’O Paraná possui atualmente em torno de 10 mil hectares plantados com cítricos, área que vem crescendo ano a ano. Até o final da década passada, tratava-se de uma atividade marginal, sem muito controle e sujeita ao cancro cítrico. Nos últimos anos, porém, o Estado vem investindo na implantação de pomares com maior profissionalismo, fiscalizados constantemente e formados somente a partir de mudas certificadas.
Visando incentivar este profissionalismo, o Secretário da Agricultura, Hermas Brandão, assinou no dia 12 de março a Resolução Estadual nº 040/97, que reduz os preços para os produtores das mudas de laranja e tangerina comercializadas pelo viveiro da Companhia de Desenvolvimento Agropecuário do Paraná (Codapar). Os preços - que agora passam a ser subsidiados - baixaram de R$ 1,20 (laranja) e R$ 1,50 (tangerina) para R$ 0,50.
A resolução contempla preferencialmente os projetos integrados de citricultura da Cooperativa Agropecuária de Rolândia (Corol) e Cooperativa dos Cafeicultores e Agropecuaristas de Maringá (Cocamar). Segundo Paulo Eduardo Felix, engenheiro agrônomo do setor de cancro cítrico do núcleo regional de Londrina da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), o sistema adotado hoje para a citricultura é todo ‘‘amarrado’’, ou seja, o produtor que quiser implantar um pomar depende de uma série de fatores.
O viveiro da Codapar tem 185 mil mudas disponíveis de laranja, tangerina, poncã e limão
O primeiro deles é a sanidade do terreno, atestada por uma vistoria feita por técnicos da Seab. Em muitos casos, é preciso que seja feita a desinfecção da área antes do plantio. Só depois da liberação pelos fiscais é que pode ser realizada a compra das mudas pelo agricultor, mediante a autorização para aquisição fornecida pelos núcleos regionais da Secretaria da Agricultura.
Rígida seleçãoTantos cuidados com a implantação de novos pomares começam com a produção de mudas, um capítulo à parte no que diz respeito à citricultura. As futuras plantas passam por um complexo processo de seleção, que começa no canteiro e termina no momento da entrega ao produtor. ‘‘Neste processo, aproximadamente 30% das sementes são perdidas’’, explica Mauro Cesar Wosniacki, engenheiro agrônomo responsável pelo único viveiro de cítricos da Codapar, instalado atualmente no município de Prado Ferreira, no Norte do Estado.
A Codapar é pioneira na produção de mudas de cítricos no Paraná, e hoje tem 185 mil plantas disponíveis, entre laranja (pêra rio, valência e folha murcha), tangerina (montenegrina, satsuma e mexerica rio), poncã e limão taiti. A capacidade do viveiro é de 350 mil mudas por safra.
Por uma questão sanitária, o terreno onde são produzidos os futuros pés de cítricos deve ser substituído depois de três safras, por isso a área de 20 hectares onde fica o atual viveiro é arrendada. Cuidados como a desinfecção de cada visitante e vistorias constantes por fiscais da Seab (através do Departamento de Fiscalização Sanitária -Defis/Produção de Sementes e Mudas - PSM) garantem a qualidade das mudas, que devem chegar ao produtor livres de pragas e doenças. ‘‘A produção segue normas rígidas, ditadas pela Portaria Ministerial nº 168. A fiscalização é feita por lotes de 400 mudas’’, explica Mauro Wosniacki.
As vistorias dos fiscais da Seab no viveiro são constantes e feitas por lotes de 400 mudas
ReservaDe acordo com o chefe do viveiro, as mudas são vendidas com 18 meses, em média. ‘‘O cavalo deve estar com mais ou menos 15 centímetros, e o espaço entre o enxerto e as ‘pernadas’, entre 50 e 55 cm. A muda tem que estar com três a cinco brotações distribuídas uniformemente, que por sua vez devem estar medindo de 15 a 20 cm’’, esclarece.
No viveiro da Codapar, as novas plantas são produzidas em jacás de papelão revestido de alumínio (o mesmo usado nas embalagens tetra pak) ou estopa, que facilita o plantio. Embora exista atualmente uma boa oferta de mudas nos canteiros instalados em Prado Ferreira, Wosniacki recomenda que os produtores interessados em adquiri-las faça uma reserva de pelos menos 15 de antecedência.

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