Marcos NegriniO Paraná produz 80% dos casulos verdes do Brasil, que exporta quase a totalidade dos fios de sedaParaná, São Paulo, Mato Grosso do Sul e Santa Catarina são os principais estados brasileiros produtores de fios de seda. Segundo levantamento do Ministério da Agricultura e do Abastecimento, o Paraná é responsável por 80% da produção nacional de casulos verdes e por 49% da produção de fios de seda. O solo e o clima brasileiro são considerados apropriados para o cultivo da amoreira e para a criação do bicho-da-seda.
Nos quatro estados, no entanto, a sericicultura ocupa apenas 55 mil hectares. Aproximadamente 11 mil pequenos produtores rurais estão envolvidos com a cultura no Brasil, conforme o balanço do Ministério da Agricultura, divulgado na quarta-feira em Londrina durante o 17º Congresso da Comissão Sericícola Internacional.
Pesquisadores brasileiros e de outros 22 países participam do congresso, que termina hoje. O Brasil produz anualmente 17 mil toneladas de casulos verdes. Porém, a indústria nacional não chega a absorver 3% dessa produção. O restante é exportado na forma de fios, principalmente para os países asiáticos.
Estudos do Ministério da Agricultura indicam que a cadeia produtiva da seda no Brasil tem um faturamento anual em torno de US$ 125 milhões, empregando (no campo e na indústria) mais de 55 mil pessoas. Atualmente, no Paraná, 223 municípios são produtores de casulos verdes.
A estimativa é que, nesses municípios, existem mais de oito mil criadores explorando a atividade, numa área de 43 mil hectares de amoreiras. No ano passado, o quilo do casulo verde foi comercializado a US$ 2,54. O quilo do fio de seda foi vendido a US$ 38,81.
Inudústrias‘‘O Governo do Estado vai se empenhar em financiar a instalação de indústrias para transformar o fio da seda em tecido’’, anunciou o Governador do Paraná, Jaime Lerner, na abertura do congresso, terça-feira à noite. Lerner disse que o Governo pode utilizar recursos do Fundo de Desenvolvimento do Estado, para incentivar a instalação dessas indústrias.
A instalação de uma indústria custa, segundo cálculos da Associação dos Produtores de Bicho-da-Seda do Paraná, em torno de R$13,5 milhões. O Ministro interino da Agricultura, Ailton Barcelo Fernandes, que também participou da solenidade de abertura do congresso, disse que ‘‘é fundamental agregar valores à cadeia produtiva, pois temos o melhor fio de seda produzido no mundo, mas é quase todo exportado’’.
PronafO ministro interino da Agricultura disse ainda que é justa a reivindicação dos produtores para que a atividade seja enquadrada pelo Pronaf. ‘‘O pedido é justo uma vez que a produção está calcada na estrutura famíliar’’, reconheceu o ministro Ailton Barcelo Fernandes. Pronaf é o Programa de Apoio à Agricultura Famíliar. O programa foi lançado no ano passado e dispõe de recursos para financiar projetos agropecuários de pequenos e médios produtores.
A falta de indústrias que possibilitem a verticalização do processo produtivo é tida como o principal fator que limita a expansão da sericicultura no Brasil. Segundo o Ministério da Agricultura e do Abastecimento, as tecnologias aplicadas no Brasil para o cultivo da amoreira e criação do bicho-da-seda são de origem asiática, adaptadas às condições locais, cujo resultado é a obtenção de produto de qualidade comparável à dos países mais avançados nesse setor, como Japão e a China.
Devido às condições do clima e do solo brasileiros é possível obter a média de sete criadas de bicho-da-seda por safra, enquanto nos países asiáticos a produção está limitada a apenas três criadas por safra. O Brasil participa com 2% da produção mundial de casulos verdes e do bicho-da-seda. No Paraná, a sericicultura teve início pelo município de Cambará, em 1932.

mockup