O Paraná pretende aumentar de 29 mil para 50 mil hectares a área com produção de café, pouco mais de 72%. Essa é a meta inicial do Programa de Revitalização da Cafeicultura Paranaense, que está sendo elaborado com o objetivo de impulsionar a cultura no Estado. Neste momento, o Sistema Faep (Federação da Agricultura do Estado do Paraná) está recebendo contribuições dos municípios produtores.

O programa ainda não foi oficialmente lançado e está na fase de estruturação dentro da Secretaria da Agricultura do Paraná. Outros objetivos são aumentar a produtividade de 27 sacas/hectare para 40 sacas/hectare e proporcionar condições para que pelo menos 90% do café produzido no Estado tenha qualidade de bebida dura tipo 6.

Para isso, o programa está estruturado em quatro eixos: assistência técnica e extensão rural; difusão de tecnologia; apoio à produção, divulgação e fortalecimento da cadeia produtiva e ampliação de canais de comercialização.

“Atualmente, o Paraná se destaca na produção de café com qualidade superior, sendo o berço dos cafés especiais. O Paraná tem cerca de 29 mil hectares cultivados com café na atualidade, um estado que já foi o segundo maior produtor nacional do grão, porém desde a metade da década de 1960 houve declínio da atividade no Estado”, pontua Bruno Vizioli, técnico do DTE (Departamento Técnico e Econômico) do Sistema Faep.

O técnico explica que o êxodo rural foi o pontapé para a redução da atividade do Estado, e a geada de 1975 ajudou a acelerar a redução de áreas com a cultura no Paraná. “Com a redução de áreas, os produtores migraram para o cultivo de grãos e/ou pastagens. O café, contudo, é uma atividade rentável economicamente”, pontua.

DEMANDAS

O técnico explica que os municípios podem encaminhar suas demandas ao Sistema Faep. “A principal demanda é o fornecimento de mudas com bons materiais genéticos a preços competitivos e capazes de aumentar áreas de forma significativa.

Outra demanda são ações voltadas ao médio e ao grande produtor, pois ações direcionadas a esse público são mais efetivas para promover aumento de área.”

CONTRIBUIÇÕES

Geraldo Maronezi, presidente do Sindicato Rural de Apucarana, considera que os maiores gargalos hoje para impulsionar a cultura do café são a dificuldade de obter mudas e o desafio de reforçar a assistência técnica aos produtores.

“O café é uma cultura perene e muito exigente. Hoje o mercado comprador está nas mãos de poucos, sendo que o produtor fica sem muita opção para comercialização”, pontua.

Apucarana tem hoje 248 produtores de café, com uma área plantada de 1,3 mil hectares. O tamanho médio das propriedades cafeeiras é de 12,1 hectares, com uma área média plantada de 7,2 hectares.

Agnaldo Esteves, presidente do Sindicato Rural de Mandaguari, lista que as maiores dificuldades da cafeicultura em Mandaguari hoje são a falta de mão de obra, o baixo índice de sucessão familiar na cultura e a redução da cadeia produtiva. O município tem hoje 115 produtores de café que cultivam o grão em 570 hectares de terras.

Entre as sugestões apresentadas pelo sindicato para elaboração do programa, estão a disponibilização de mudas certificadas e resistentes e nematoides, mais estímulo à subvenção de seguro agrícola e para aquisição de corretivos de solo e uma melhor viabilidade para investimentos, com liberação de crédito de maneira mais simplificada e eficaz.

O sindicato cita ainda o incentivo à continuidade do jovem na cafeicultura. Outra reivindicação é um projeto de lei que permita a compra institucional de cafés produzidos na região, visando valorizar o produto local.

“Na década de 1950, aqui em Mandaguari tinha aeroporto, grandes hotéis, vinha gente de fora para comprar terra, para plantar café. Fomos muito pujantes nisso”, relembra Esteves.

REAÇÃO

Bruno Vizioli, técnico do Sistema Faep, considera que a cafeicultura do Estado tem condições de reagir, porém dificilmente voltará aos números da metade do século passado – tem estrutura para se manter no páreo e se destacar nos cafés de qualidade.

“O clima do Estado tem vantagens, como regime de chuvas distribuído ao longo do ano, relevo mais plano que favorece mecanização e solo profundo e naturalmente com boa aptidão agrícola. Contudo, as geadas ainda assombram o cafeicultor paranaense, sendo este o principal ponto negativo da cultura do Estado. O produtor, no entanto, pode lançar mão de tecnologias para atenuar os efeitos das geadas que serão cada vez menos frequentes, dado o cenário das mudanças climáticas”, conclui.

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