Para legitimar a qualidade do café paranaense, os diversos segmentos da cadeia produtiva - do cafeicultor à indústria - se uniram na criação de um concurso que premia os melhores cafés colhidos no Estado. Das 10 amostras vencedoras, quatro irão concorrer no leilão nacional, a ser realizado no fim deste ano. Outras seis irão participar de um leilão estadual, ambos organizados pela Associação Brasileira das Indústrias do Café (Abic).
O objetivo do concurso, explica o engenheiro agrônomo e coordenador estadual do Programa Café da Emater, Edison José Trento, é também garantir melhores preços aos produtores. Hoje, o café de qualidade, classificado como bebida dura para melhor, pode alcançar até R$ 250/saca. Já o café inferior, de bebida riada ou rio, tem um deságio de até 40%.
Paulo Sérgio Franzini, economista do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seab) de Apucarana, estima que dos 115 mil hectares (ha) cultivados no Paraná, 85% fornecem bebida dura para melhor. ''Isto porque 83% das propriedades praticam agricultura familiar'', afirma. Segundo o economista, 50% da área cultivada com café no Estado utiliza o sistema adensado, que responde por 65% da produção.
Trento ressalta a importância estratégica do cultivo adensado em pequenas propriedades. ''É uma técnica que permite ao produtor diminuir custos, obter alta produtividade e qualidade'', diz. Ele lembra que com a explosão do plantio adensado, o café paranaense perdeu um pouco da qualidade, que começou a ser recuperada no final da década de 1990 com a implantação do Programa Café Qualidade, idealizado pelo governo do Estado.
''O programa chama atenção para a mudança da imagem do café a partir das ações dos produtores em melhorar o preparo do terreno, a colheita, e a armazenagem dos grãos'', completa o agrônomo. Em 2000, foi lançado o primeiro concurso, que não teve resultados positivos em decorrência da forte geada que abalou os cafezais do Estado. Em 2004, a idéia foi retomada e o sucesso da participação dos cafeicultores estimulou a realização de um novo concurso este ano.
A organização do concurso está estudando junto à Associação Paranaense de Supermercados (Apras) a possibilidade de comercializar as amostras vencedoras com embalagens diferenciadas e selos de qualidade numerados.
Hoje, o Paraná importa café de outros estados. A soma do consumo interno e da demanda das indústrias e da exportação é de 3,6 milhões de sacas, enquanto a produção gira em torno de 2,5 milhões de sacas. ''O ideal seria aumentarmos a área de plantio para 200 mil ha para colocar em prática nosso potencial produtivo de 3,5 a 4 milhões de sacas/anos'', conclui o economista Paulo Franzini.

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