Arquivo FRAgregaçãoIndústrias trariam vantagens para o Estado, não apenas para os sericicultoresParticipando com 12.466 toneladas por ano, o Estado gera 80,9% da produção brasileira de 15.368 toneladas de casulos do bicho-da-seda. O município de Nova Esperança (35 quilômetros a oeste de Maringá), com 2.800 toneladas, é o maior produtor do Estado e do Brasil. Apesar de ocupar uma posição de destaque na manutenção da sericicultura (atividade que mais gera emprego no campo o ano todo), os produtores estão insatisfeitos e esperam uma melhora no preço do casulo verde.
De acordo com o presidente da Comissão Nacional de Sericicultura e Secretário de Agricultura de Nova Esperança, Osvaldo da Silva Pádua, os produtores já tiveram dias melhores com a sericicultura. Ele cita os exemplos das safras entre 1987, 1988 e 1989, quando o quilo do casulo verde chegou a ser vendido a US$ 4,25. Em compensação, a atividade também passou por um período difpicil no ano de 1994, quando o quilo do casulo verde não passou de US$ 1,97. Entre uma boa safra e uma safra ruim, a média de preço do casulo, conforme Pádua, varia de US$ 3,2 a US$ 3,5. Agora, entretanto, o quilo do casulo verde está sendo vendido a US$ 2,78.
PrejuízoSegundo Pádua, alguns produtores estão tendo um prejuízo de US$ 0,90 por quilo do casulo comercializado. Isto porque a produtividade de algumas lavouras atinge no máximo 450 quilos por hectare/ano. Os produtores que conseguem uma produtividade de até 650 quilos por hectare ao ano estão com um déficit que varia de US$ 0,30 a US$ 0,40 o quilo. ‘‘Para tornar viável a atividade, o preço do casulo tem que chegar pelo menos na média dos últimos anos e para isso, será necessário um reajuste em cerca de US$ 0,50 a US$ 0,60 o quilo’’, estima Pádua.
Aumentar o preço do casulo e conseguir do Governo subsídios para a manutenção da atividade são algumas das reinvidicações dos sericicultores do Paraná. ‘‘É preciso resgatar uma política para que o setor mantenha condições de participar de intercâmbios tecnológico, científico e comercial e possa competir com o mercado internacional’’, explica. Segundo Pádua, o Japão é o País que possui a melhor tecnologia em toda a cadeia produtiva do bicho-da-seda. Em compensação, o Japão está reduzindo a área de plantio e perde para o Brasil, que ocupa a terceira posição mundial. Em primeiro lugar está a China, com 770 mil toneladas de casulo verde por ano; a India é o segundo maior produtor, com 128 mil toneladas/ano.
ConcorrênciaMesmo estando muito abaixo do segundo maior produtor mundial de casulos, o Brasil tem condição de competir no mercado internacional, em termos de qualidade dos fios. Hoje, 95% dos fios produzidos no País são exportados. Isto equivale a apenas 3% da produção mundial. Além da qualidade, a exportação dos fios ocorre em grande proporção devido à falta de empresas que possam absorver o produto aqui mesmo.
Atualmente, apenas quatro empresas brasileiras fabricam a seda. A maior é a Bratac que tem a matriz em Bastos (SP) e que absorve 70% de toda produção nacional de casulos. As outras três são: Kanebo, Kobes e Cocamar S/A. Cada empresa adquire os casulos de determinados sericicultores. Há, desta forma, uma integração entre produtor e empresa. Se por um lado este sistema favorece o produtor, porque este passa a ter a certeza da comercialização, por outro o contrato pré-determinado tira o poder de barganha do produtor.
Conforme Pádua, o próprio Governo do Paraná está sendo penalizado com a fuga de recursos, já que é no Estado de São Paulo que está instalada a maior indústria do setor. ‘‘O Governo deveria incentivar a industrialização do setor no Paraná, para que o Estado possa agregar valores e ainda ficar com a arrecadação dos impostos’’, explica. Isso tudo, sem falar na geração de empregos. Para se instalar uma indústria que realize toda a cadeia produtiva da seda, o investimento não sai por menos de US$ 13 milhões.
Na cadeia produtiva, o segmento que mais ganha, conforme Pádua, é o da industrialização: o preço do casulo verde em 1995 era de US$ 2,24, o quilo; o de casulo seco US$ 10,77, o quilo. Já o quilo do fio da seda custava US$ 34,21. O subproduto era comercializado a US$ 5,03 e o tecido da seda, a US$ 147,98, o quilo. Para fabricar um quilo de fio, são necessários 6,66 quilos de casulo verde. Com um quilo de fio é possível fabricar de 10 a 12 metros de tecido cru e de 12 a 15 metros de tecido acabado. ‘‘Com esta metragem dá para fabricar até 10 camisas de seda. E seda pura’’, diz Pádua.
EmpregosAlém de todas as vantagens relacionadas com a comercialização segura dos casulos por parte dos sericicultores, a atividade, conforme Pádua, tem uma importante função social. Só no Paraná, a estimativa é de que 50 mil pessoas estejam trabalhando com o bicho-da-seda. Nova Esperança, o município que mais produz casulos no País, consegue manter 35% da população no campo graças ao trabalho, garantido praticamente no ano todo, na produção do bicho-da-seda. Segundo Pádua, o Paraná conseguiu desenvolver uma tecnologia que permite até nove criadas por ano. Isto dá emprego o ano inteiro ao homem do campo. Ele cita três fatores responsáveis pela boa produção de casulo no Paraná, em relação aos demais Estados brasileiros: organização dos sericicultores, que mantêm 35 associações no Estado; instalação das indústrias que absorvem os casulos verdes; e o respaldo do Governo através de financiamentos e incentivos à pesquisa.

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