A arte milenar do bonsai, que nasceu na China do século III a.C. como uma atividade reservada à nobreza e se disseminou no Japão a partir do século XII chegando à Europa no século XIX. A atividade começa a se popularizar também no Brasil, de acordo com adeptos da prática que se reuniram no 1º Encontro Nacional do Bonsai Rural realizado no final do mês passado, na cidade de Porto Amazonas, a 70 quilômetros de Curitiba.
Um dos indicativos desse crescimento é a ampliação do cultivo de plantas que servem como matéria-prima para a produção de bonsai, chamadas de pré-bonsai, como vem ocorrendo na Fazenda Belvedere onde foi realizado o Encontro Nacional. A fazenda abriga a Belvedere Plantas e a Bonsai do Campo, e ocupa o posto de uma das maiores produtoras de plantas ornamentais e pré-bonsais do Paraná, junto com o Centro Romagnoli de Bonsai, que fica em Mandaguari, 33 quilômetros a leste de Maringá.
Segundo um dos proprietários, Edson Bruno Anderman, a empresa, que tem 30 anos de mercado, começou o cultivo de plantas para bonsai nove anos atrás. Hoje, dos 400 cultivares de plantas ornamentais produzidos lá, até 50 espécies são apropriadas à produção de bonsai. A Bonsai do Campo, ramo da Belvedere Plantas, deve tornar-se uma empresa independente devido ao aumento da demanda por pré-bonsais e bonsais. ''O Paraná caminha para tornar-se o celeiro do bonsai no Brasil. A idéia é popularizar o bonsai por meio de preço acessível'', explica Anderman.
A Bonsai do Campo tem hoje 10 mil pré-bonsais disponíveis para a venda e 8 mil bonsais prontos. A capacidade de produção atual da empresa é de 2 mil bonsais por mês e sete funcionários trabalham exclusivamente neste setor. A venda de bonsais já representa 10% do faturamento da Belvedere Plantas. De acordo com o bonsaísta Carlos Tramujas, a maior produtora européia de bonsais, Mistral Bonsai, em Terragona, na Espanha, comercializa 600 mil bonsais por ano e fatura 70 milhões de euros anualmente. Tramujas, que foi consultor técnico da Mistral, aposta que o mercado brasileiro do setor, em especial o paranaense, também pode se expandir. ''Aqui no Brasil ainda está engatinhando. Essa produção ainda é escassa no mercado brasileiro e existe uma demanda muito grande para esse tipo de produto. O Paraná se destaca porque tem clima que possibilita produzir plantas de clima temperado'', avalia.
Outro dado comparativo refere-se ao número de associações voltadas para a arte das plantas em miniatura. O Brasil conta hoje com no máximo 15 associações do gênero, segundo estima Tramujas, enquanto na Espanha elas são 170. ''Aqui estamos começando mas não tem como ir para trás. As pessoas estão começando a ver o bonsai como ele tem que ser visto'', defende. Nas palavras da bonsaísta argentina Marita Gurruchaga, que também esteve presente no encontro, o bonsai ''é socialmente uma obra de arte viva em evolução contínua''. Há 30 anos no ramo, Marita acredita que o bonsai é a arte oriental mais divulgada no mundo. Com a facilidade de comunicação proporcionada por ferramentas, como a internet, a troca de informações com os mestres ficou mais fácil. ''O mundo ficou menor'', incentiva.

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